O acesso do Fluminense de Feira à elite do futebol baiano foi marcado por uma celebração especial no programa Bom Dia Feira. Em entrevista, o presidente do clube, Filemon Neto, falou sobre os desafios para a temporada 2027, a força da torcida tricolor e, principalmente, prestou uma homenagem ao jornalista e radialista Dilson Barbosa, reconhecendo sua trajetória de dedicação ao Fluminense de Feira.
Filemon revelou que, após a conquista, chegou a passar mal e não conseguiu participar das comemorações do clube. Já recuperado, o presidente afirmou que o trabalho para 2027 começou praticamente de imediato e que o objetivo é muito maior do que apenas permanecer na Série A do Campeonato Baiano.
“Conseguir o acesso de forma bacana, como a gente conseguiu, foi só a primeira parte. Existe uma segunda parte a ser cumprida ainda, que é fazer um bom campeonato em 2027, ficar entre os cinco primeiros colocados, de preferência entre os quatro, trazer de volta uma semifinal a Feira de Santana”, afirmou Filemon.
O dirigente também destacou que a intenção é manter a base do elenco responsável pela campanha vitoriosa. Segundo ele, o grupo foi montado pensando justamente na disputa da Série A e já havia demonstrado bom desempenho anteriormente.
“A tendência é a gente manter toda a espinha dorsal desse time, que vem dando certo e que já foi provado na própria Série A. Agora, é lógico, na dinâmica do futebol, são seis meses, é bastante tempo e existem posições que a gente acha que pode fazer melhor”, explicou.
Torcida é considerada o grande patrimônio
Durante a entrevista, Filemon Neto também destacou a presença da torcida na campanha do acesso. Segundo ele, aproximadamente oito mil pessoas estiveram no Estádio Joia da Princesa na partida decisiva, demonstrando que a paixão pelo Touro do Sertão voltou a ganhar força em Feira de Santana.
O presidente chamou atenção ainda para a presença de crianças e mulheres nas arquibancadas e afirmou que o desempenho do time ajudou a recuperar o orgulho dos torcedores em vestir a camisa do clube.
“O que nós percebemos é que o grande patrimônio do Fluminense está vivo, que é a torcida. A gente viu ali naquele estádio mais ou menos umas oito mil pessoas”, ressaltou.
Filemon também contou uma história familiar para exemplificar esse novo momento. Segundo ele, seu neto Pedrinho, que era torcedor do Bahia, passou a vestir a camisa do Fluminense de Feira.
“Acho que a campanha do Fluminense motivou muito essa volta das crianças a ter orgulho de torcer pelo time da cidade. O torcedor volta a ter orgulho de vestir sua camisa, de ir para a rua, mostrar que tem uma identificação, que tem uma identidade”, declarou.
Uma homenagem carregada de emoção
O momento mais emocionante da entrevista aconteceu quando Filemon Neto decidiu homenagear Dilson Barbosa. O presidente entregou ao jornalista uma medalha que recebeu pela conquista do título baiano da Série B, como forma de reconhecimento pela história construída por Dilson junto ao Fluminense de Feira.
Foto: Reginaldo Júnior / BDF
Antes da entrega, Filemon explicou o significado do gesto e destacou que as histórias contadas por Dilson ao longo dos anos contribuíram para fortalecer sua própria relação com o clube.
“Eu ficava muito triste às vezes quando eu escutava você dizer assim: ‘meu time não ganha, não joga, não participa de competições’. Mas sempre vi você falando com muito carinho do Fluminense, sempre dedicou seu tempo para poder me contar histórias do Fluminense. Histórias essas que nutriram esse carinho apaixonado que eu criei por essa equipe”, afirmou o presidente.
Filemon então entregou a medalha a Dilson Barbosa, que recebeu a homenagem visivelmente emocionado.
“Eu queria lhe dar um presente para você ficar realmente de coração. Essa aqui é a medalha que eu recebi do título baiano desse ano”, disse Filemon.
“O Fluminense de Feira veio primeiro”
Ao receber a medalha e a camisa do Fluminense de Feira, Dilson Barbosa agradeceu emocionado e relembrou sua relação histórica com o clube.
“Eu fico sensibilizado com essa homenagem. Afinal de contas, querido amigo, eu torço para o Fluminense do Rio porque eu torcia para o Fluminense de Feira. Torço. O Fluminense do Rio veio depois. Primeiro foi o meu querido Fluminense de Feira”, declarou Dilson.
O jornalista também contou que se apaixonou pelo clube depois que chegou a Feira de Santana e destacou a emoção de acompanhar a recuperação do Touro do Sertão.
“Eu estou num momento de muita gratidão, por ver vocês ajudarem o meu filho a crescer. Eu não acreditava mais que tivéssemos, nem em vida, essa possibilidade. E se eu morrer amanhã, eu morro feliz, porque eu vi o Fluminense de Feira recuperado, restaurado”, afirmou.
Dilson ainda fez questão de destacar a força da torcida tricolor.
“Agradecemos muito a você, ao André e à torcida no maior geral, porque eu vi que a torcida está viva, gente. A torcida do Fluminense não morreu. Ela apenas estava hibernada. Acordamos”, disse, emocionado.
Tradição e futuro
A entrevista também reforçou o compromisso do Fluminense de Feira com sua identidade histórica. Filemon afirmou ser contrário a mudanças profundas no escudo do clube e defendeu a preservação dos símbolos tradicionais.
O presidente revelou ainda que, caso dependesse exclusivamente de sua vontade, gostaria de ver uma estrela de prata no escudo para representar o título da Série B e o primeiro troféu conquistado pela SAF. No entanto, explicou que qualquer alteração depende de decisão da associação.
Para Filemon, a retomada do Fluminense representa não apenas um retorno à elite estadual, mas também a reconstrução de um patrimônio esportivo de Feira de Santana.
“A gente não vai subir para a Série A para simplesmente participar da competição e lutar para não cair. A gente vai realmente para figurar entre as primeiras posições e tentar beliscar qualquer coisa”, afirmou.
A homenagem a Dilson Barbosa encerrou a entrevista em clima de emoção e simbolizou a ligação entre diferentes gerações que ajudaram a manter viva a identidade do Fluminense de Feira. Entre memória, paixão e novos projetos, o Touro do Sertão inicia uma nova etapa com a torcida novamente mobilizada e com o objetivo de voltar a ocupar um lugar de destaque no futebol baiano.