
O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, afirmou, durante entrevista ao Bom Dia Feira, que é preciso diferenciar as torcidas organizadas dos grupos que utilizam o futebol como espaço para a prática de crimes. A declaração ocorreu após os episódios de violência registrados no último fim de semana, em Salvador, durante o clássico entre Bahia e Vitória, que terminou com duas pessoas mortas.
Freitas classificou as cenas de violência como motivo de “revolta” e “assombro” e criticou a circulação das imagens das agressões nas redes sociais. Para o secretário, pessoas que se organizam para distribuir armas, marcar confrontos e espancar adversários não podem ser tratadas simplesmente como torcedores.
“Quem se organiza para espancar os outros, quem marca para distribuir arma para poder atacar as pessoas, não é torcida organizada. É uma organização criminosa”, afirmou.
Segundo o secretário, as torcidas organizadas que têm como objetivo apoiar os clubes devem ser preservadas e incentivadas. Já os grupos que utilizam a estrutura das torcidas para planejar crimes precisam ser investigados e desarticulados.
“Vamos ter que separar o joio do trigo, vamos ter que separar o que é torcida do que é organização criminosa. As torcidas têm que ser fomentadas. Agora, organização criminosa tem que ser desmontada”, destacou.
Torcidas organizadas reagem às declarações
As declarações de Felipe Freitas provocaram reação entre torcedores e representantes de torcidas organizadas, que defendem uma distinção entre as entidades reconhecidas e os grupos envolvidos em episódios de violência.
As torcidas sustentam que não se pode atribuir a todos os integrantes a responsabilidade por atos praticados por indivíduos ou grupos específicos. A avaliação é de que medidas de segurança e investigação devem atingir diretamente quem comete crimes, sem criminalizar automaticamente todos os torcedores organizados.
O debate ganha força justamente após mais um episódio de violência relacionado ao Ba-Vi. Para Felipe Freitas, entretanto, o enfrentamento deve ser ampliado e envolver clubes, torcedores, forças de segurança e Ministério Público.
“Nós não podemos tolerar que um patrimônio da Bahia, que é o Ba-Vi, seja manchado por práticas como essa”, afirmou o secretário, que também revelou ter conversado com o secretário de Segurança Pública, Werner, sobre a gravidade do episódio.
Governo promete reforçar investigação
Durante a entrevista, Felipe Freitas afirmou que as Secretarias de Justiça e Direitos Humanos e de Segurança Pública devem ampliar as ações de investigação e inteligência para identificar grupos que estejam se articulando para cometer crimes relacionados às torcidas.
O secretário defendeu ainda uma mobilização conjunta da sociedade baiana para preservar a rivalidade esportiva e impedir que episódios de violência comprometam a tradição do clássico.
“Os clubes vão ter que ajudar a gente nisso. Os torcedores, de verdade, vão ter que ajudar a gente nisso. A polícia vai ter que fazer a sua parte de investigação, o Ministério Público vai entrar conosco nessa e nós vamos enfrentar esse problema na Bahia”, declarou.
Entrevista também abordou segurança e políticas sociais
Além da violência nos estádios e no entorno dos jogos, Felipe Freitas falou sobre as ações do Estado no combate ao crime organizado, a modernização do sistema socioeducativo e iniciativas de prevenção à violência.
Em Feira de Santana, o secretário destacou investimentos na unidade que anteriormente funcionava como Casa Melo Matos e que passou por reforma para se tornar a Unidade Feminina Makota Valdina, destinada ao atendimento de adolescentes que cumprem medidas socioeducativas.
Freitas também citou resultados educacionais obtidos por adolescentes atendidos pelo sistema, incluindo aprovações no Enem e participação em Olimpíadas de Matemática.
Outro tema abordado foi o combate ao roubo e à receptação de celulares. Segundo o secretário, mais de 2,5 mil aparelhos roubados já foram recuperados e devolvidos aos proprietários neste ano, por meio de ações de inteligência e tecnologia.
A entrevista ao Bom Dia Feira também tratou da violência na zona rural, do monitoramento de propriedades, da atuação policial em comunidades quilombolas e da necessidade de uma política nacional integrada de segurança pública.
Felipe Freitas esteve em Feira de Santana para acompanhar ações da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, visitar o projeto de música NEOJIBA e participar de reuniões com representantes das forças de segurança para discutir os desafios do enfrentamento à violência na região.






