Em audiência pública, professores acusam prefeitura de Feira de Santana de descumprir Lei

Reginaldo JúniorCapaBahia6 meses atrás91 Pontos de vista

Uma audiência pública na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), realizada nesta terça-feira (14), dia que antecede as comemorações pelo Dia do Professor, expôs o colapso da educação municipal em Feira de Santana, onde a prefeitura tem descumprido a Lei Federal nº 11.738/2008, que garante aos professores um terço da jornada de trabalho para atividades extraclasse, como planejamento de aulas e formação continuada.

Proposta pelo deputado Robinson Almeida (PT), integrante da Comissão de Educação da ALBA, a audiência discutiu os efeitos da Portaria nº 007/2025, publicada pela Secretaria Municipal de Educação, que aumenta o tempo de permanência dos docentes em sala de aula e elimina o período destinado ao planejamento pedagógico. A medida fere decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a constitucionalidade da reserva de tempo extraclasse e sua aplicação obrigatória a estados e municípios.

Apesar de convidada, a prefeitura não enviou representação para a discussão. O parlamentar criticou a ausência e classificou a situação como “uma anomalia trabalhista e pedagógica”. Ele também denunciou que a gestão municipal vem precarizando as condições de trabalho dos professores. “O professor está sendo submetido a um regime que fere a Constituição e a legislação nacional. A sobrecarga é desumana e prejudica a aprendizagem. Quem passa 40 horas em sala de aula trabalha mais 15 em casa, tirando tempo da família e do descanso para planejar aulas”, afirmou Robinson.

O deputado também criticou o fechamento de salas de recursos para alunos com deficiência, especialmente em bairros periféricos como a Mangabeira. “Quando a educação não funciona, o impacto atinge as famílias e agrava problemas sociais”, alertou.

O vereador Ivamberg Lima (PT), também professor, reforçou as críticas e acusou o município de descumprir decisão do STF e de sobrecarregar os docentes. “Chegamos ao absurdo de professores com 42 horas-aula efetivas. Isso não existe. A lei é clara e vale para todos. Os professores estão exauridos e a qualidade do ensino comprometida”, disse. O vereador ainda advertiu que o desrespeito à norma pode gerar sanções e perda de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB).

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB-Sindicato), Marlede Oliveira, classificou a situação como “caótica” e denunciou falta de professores, fechamento de turmas e violação de direitos. “Crianças estão sem aula e professores trabalham exaustivamente sem tempo de planejamento. Feira vive um caos educacional. Vamos acionar a Justiça para garantir o pagamento das horas devidas e o cumprimento da lei”, declarou.

A defensora pública Maria Carmen Novaes, coordenadora da Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, afirmou que a falta de tempo para o planejamento compromete o direito à educação de qualidade. “A escola precisa ser espaço de emancipação e reflexão. Negar o tempo de planejamento é negar a própria essência da educação”, pontuou.

Na audiência pública, relatos de professoras contratadas sob o Regime Especial de Direito Administrativo (Reda) reforçaram o quadro de exaustão e desvalorização. “Não temos tempo para planejar, mas somos cobradas como se tivéssemos. Viro madrugadas para cumprir as exigências”, relatou a professora Raildes.

Ao final da audiência pública, ficou decidido que o Ministério Público será provocado a se manifestar sobre o caso e a Defensoria Pública se comprometeu a também agir diante da violação do direito à educação e ao desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes.

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