
Relatórios de inteligência analisados pela Reuters alertam para o risco de extremistas e criminosos terem como alvo a Copa do Mundo em um momento em que centenas de milhões de dólares destinados à segurança foram liberados com atraso, prejudicando o ritmo dos preparativos nos Estados Unidos.
Os documentos, até então não divulgados, foram produzidos por autoridades federais e estaduais norte-americanas, além da Fifa, entidade responsável pela organização do torneio.
Eles apontam para o risco de ataques extremistas, incluindo ações contra infraestruturas de transporte, além de possíveis distúrbios civis relacionados à política de imigração do presidente Donald Trump.
A Copa do Mundo, um dos maiores eventos esportivos do planeta, será disputada em junho e julho deste ano, com jogos distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e México.
Embora a segurança nesses eventos já seja tradicionalmente reforçada, autoridades norte-americanas estão em alerta ainda maior desde o início da guerra envolvendo o Irã, diante de preocupações com possíveis retaliações.
Nos últimos meses, responsáveis pela organização nos Estados Unidos intensificaram os alertas sobre o atraso na liberação de 625 milhões de dólares (aproximadamente R$ 3,2 bilhões) em verbas federais para segurança, previstas em um pacote orçamentário aprovado em julho de 2025 com apoio republicano.
A Agência Federal de Gestão de Emergências, encarregada de distribuir os recursos, havia informado em novembro que faria a liberação até 30 de janeiro.
Após questionamentos da Reuters neste mês, e reclamações de autoridades e organizadores sobre a ausência dos valores, a agência anunciou na quarta-feira que os recursos foram finalmente concedidos, afirmando que irão “reforçar os preparativos de segurança”.
Com a abertura da Copa marcada para 11 de junho no México — seguida por partidas nos Estados Unidos e Canadá no dia seguinte —, estados e cidades-sede já estão em fase avançada de planejamento, incluindo estratégias para prevenir possíveis ataques.
Segundo autoridades ouvidas pela Reuters, os atrasos no financiamento e os alertas de ameaças tornaram o processo ainda mais complexo.
De acordo com Mike Sena, presidente da National Fusion Center Association, a distribuição dos recursos costuma levar meses, enquanto a aquisição de tecnologia e equipamentos pode demandar ainda mais tempo. “Será extremamente apertado”, afirmou.
Um relatório de inteligência de dezembro de 2025, produzido em Nova Jersey — que sediará jogos, incluindo a final —, destacou ataques domésticos recentes, planos terroristas frustrados e a disseminação de propaganda extremista.
O documento também menciona a possibilidade de aglomerações espontâneas ligadas a tensões entre países.
Outro relatório, de setembro de 2025, identificou uma publicação online que incentivava ataques à infraestrutura ferroviária durante a Copa, sugerindo que haveria “muitas oportunidades” para descarrilar operações, com menção a jogos na costa oeste dos Estados Unidos e do Canadá.
Os documentos foram obtidos pela organização Property of the People.
Com informações da CNN Brasil





