Verão prolonga alerta contra o câncer de pele até o fim de fevereiro

Reginaldo JúniorVerão 20264 horas atrás15 Pontos de vista

O calendário virou, mas o risco permanece. Com o verão avançando pelos meses de janeiro e fevereiro, especialistas alertam que a prevenção do câncer de pele precisa acompanhar toda a estação. O uso diário de protetor solar, a reaplicação ao longo do dia, o emprego de barreiras físicas — como chapéus e roupas com proteção ultravioleta — e a evitação da exposição solar entre 10h e 16h seguem sendo medidas essenciais, sobretudo em um período marcado por praia, piscinas, esportes ao ar livre e lazer sob o sol, quando a incidência dos raios ultravioleta é mais intensa e constante.

O câncer de pele continua sendo o tipo de tumor mais frequente no mundo. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam mais de três milhões de casos de câncer de pele não melanoma e cerca de 130 mil casos de melanoma por ano globalmente. No Brasil, dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Dermatologia indicam que a doença representa aproximadamente 30% de todos os diagnósticos oncológicos, com mais de 220 mil novos casos anuais — cenário que se agrava em regiões de alta insolação, como a Bahia, onde a exposição solar é prolongada e cumulativa ao longo de todo o verão.

Segundo a dermatologista Marilu Tiúba, o comportamento de risco costuma aumentar justamente após o encerramento das campanhas de conscientização.

“Existe a falsa sensação de que o cuidado termina com o Dezembro Laranja. Mas, na prática, janeiro e fevereiro concentram longos períodos de exposição solar contínua, muitas vezes sem proteção adequada. Isso eleva o risco de lesões que podem evoluir silenciosamente”, alerta.

Exposição acumulada e diagnóstico tardio

Na Bahia, onde o clima favorece atividades ao ar livre durante quase todo o ano, o impacto da radiação solar é cumulativo. Lesões que surgem de forma discreta — manchas, feridas que não cicatrizam ou pintas que mudam de aspecto — tendem a ser negligenciadas, especialmente no verão.

“Quanto mais cedo a alteração é identificada, maiores são as chances de tratamento simples e cura. O atraso no diagnóstico pode transformar um procedimento pequeno em uma abordagem mais complexa”, explica Marilu. A especialista também reforça que pessoas de pele negra não estão imunes à doença, apesar da proteção natural da melanina. “O câncer de pele também ocorre nesses pacientes e, infelizmente, costuma ser diagnosticado mais tarde”, acrescenta.

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