Surto de esporotricose em Feira: entenda a doença que afeta animais e humanos 

Reginaldo JúniorDestaquesFeira de Santana7 meses atrás124 Pontos de vista

Uma micose causada por fungos do gênero Sporothrix e que pode atingir tanto animais quanto humanos têm preocupado a população de Feira de Santana. De acordo com dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), entre janeiro e maio deste ano, o ambulatório de infectologia do município realizou mais de 25 atendimentos em pessoas de 2 a 73 anos com esporotricose. 

Como o fungo é encontrado no solo e em matéria orgânica em decomposição, a chamada doença de jardineiro afeta os humanos após o contato com a pele ou mucosa, através de ferimentos motivados por espinhos, palha e lascas de madeira. Animais infectados, como gatos, cães, cavalos e espécies silvestres, também são transmissores.  

“A esporotricose ocorre por inoculação traumática – seja via mordeduras e arranhaduras de animais contaminados, que podem carregar o Sporothrix nas unhas e na cavidade oral, ou pelo contato direto com secreções de lesões cutâneas”, explica Juliary Correia, médica veterinária e professora.

Formas de tratamento  

Assim como os pets devem ser encaminhados ao veterinário, os indivíduos que apresentam lesões suspeitas precisam procurar auxílio médico o mais rápido possível. Juliary Correia alerta que feridas e úlceras na pele, com aspecto úmido e que não cicatrizam, são sintomas iniciais da infecção. Após avaliação e confirmação, o tratamento com uso de medicamentos antifúngicos é iniciado.  

O processo de combate pode durar de três a seis meses, chegando a um ano em alguns casos. “O tratamento costuma ser prolongado e deve ser mantido por, no mínimo, 30 dias depois da cura clínica, a fim de garantir a eliminação completa do fungo”, ressalta.  

Além da disseminação, aumentando os riscos à saúde pública, a ausência de acompanhamento profissional leva à progressão da doença. Em situações graves, acomete órgãos, ossos, articulações e até o sistema nervoso.  

Como prevenir? 

Por conta dos hábitos de cavar a terra para enterrar as fezes, afiar as unhas em árvores e arranhar durante brigas, os gatos são os maiores transmissores da zoonose. Para evitar a exposição ao fungo, tanto de felinos quanto de humanos, a veterinaria cita medidas preventivas que podem ser adotadas pela população: 

  • Telar as residências para evitar a entrada de animais de rua; 
  • Manter os gatos domésticos em ambiente controlado, sem acesso livre às ruas; 
  • Utilizar luvas sempre que houver necessidade de manipular animais com suspeita da doença; 
  • Realizar atividades de jardinagem e manuseio de solo com luvas e roupas de manga longa.  

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