Networking vai além do cafezinho: como a universidade pode abrir portas para sua carreira

Reginaldo JúniorFeira de SantanaCapa4 dias atrás66 Pontos de vista

Muito antes da entrega do diploma, a construção da carreira já começa dentro da universidade, se antes o networking era associado apenas a eventos corporativos ou encontros entre profissionais experientes, hoje ele faz parte da rotina acadêmica e pode influenciar diretamente nas oportunidades de estágio, emprego e crescimento profissional.

A faculdade reúne estudantes, professores, pesquisadores, profissionais convidados, empresas parceiras e ex-alunos em um mesmo ambiente, criando oportunidades para que conexões sejam estabelecidas de forma natural. Mais do que ampliar a rede de contatos, esse processo permite trocar experiências, desenvolver habilidades e conhecer diferentes possibilidades de atuação na profissão escolhida.

Embora o conhecimento técnico continue sendo um requisito indispensável, especialistas apontam que o mercado procura cada vez mais profissionais capazes de trabalhar em equipe, comunicar ideias, construir relacionamentos e colaborar na resolução de problemas.

Para a coordenadora do curso de Administração da UNIFAN, Andrea Oliveira, administradora, especialista em Gestão de Pessoas e mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, o networking tornou-se um diferencial competitivo porque aproxima estudantes do mercado de trabalho e amplia as possibilidades de desenvolvimento profissional desde os primeiros semestres da graduação.

“O networking possibilita a construção de uma rede de relacionamentos profissionais e favorece o acesso ao mercado de trabalho, ao estágio e ao desenvolvimento da carreira, além de promover a troca de conhecimentos, experiências e informações sobre as tendências do mercado.”

Segundo levantamento da plataforma LinkedIn, profissionais que investem no desenvolvimento de suas redes de relacionamento tendem a ter mais acesso a oportunidades de carreira e desenvolvimento profissional. Mas especialistas alertam que networking não significa colecionar contatos.

A qualidade das relações costuma ser mais importante do que a quantidade de pessoas conhecidas. Participar de projetos de extensão, iniciação científica, semanas acadêmicas, congressos, empresas juniores, monitorias e programas de estágio permite que essas conexões aconteçam de maneira espontânea, fortalecidas pela convivência e pela troca de experiências.

Além disso, professores costumam ser importantes pontes entre universidade e mercado, indicando estudantes para processos seletivos, projetos de pesquisa, eventos e oportunidades profissionais.

A coordenadora destaca que a universidade exerce um papel decisivo nesse processo ao criar ambientes que aproximam estudantes da realidade profissional.

“A Universidade desempenha um papel fundamental na construção do networking ao promover eventos acadêmicos, aprendizagem com base em projetos, palestras, visitas técnicas, projetos de extensão, atividades de pesquisa, estágios e experiências práticas que aproximam os estudantes de docentes, profissionais e organizações, fortalecendo sua rede de relacionamentos. Além disso, possibilitam projetos conjuntos, programas de estágio, processos seletivos, mentorias e outras iniciativas que ampliam as perspectivas de desenvolvimento profissional dos estudantes.”

Networking também é uma habilidade socioemocional

Criar uma boa rede de relacionamentos depende menos de técnicas prontas e muito mais da forma como cada pessoa se relaciona com os outros. Escuta ativa, empatia, respeito, comunicação clara e disposição para colaborar são características que fortalecem conexões profissionais ao longo do tempo. Para a coordenadora do curso de Psicologia da UNIFAN, Dra. Louise Cristine Santos Sobral, psicóloga, networking deve ser compreendido sob uma perspectiva muito mais humana do que mercadológica.

“Enquanto psicóloga, acredito que networking vai muito além de ‘fazer contatos’ a partir de uma lógica mercadológica e capitalista. Trata-se da capacidade de construir e manter relações baseadas em confiança, respeito, colaboração e troca de experiências. Essas conexões favorecem a aprendizagem, ampliam oportunidades profissionais e fortalecem o sentimento de pertencimento, dando sentido e identidade ao trabalho que cada pessoa se propõe a desenvolver.”

Segundo a especialista, desenvolver uma rede de relacionamentos sólida depende também do fortalecimento de competências socioemocionais.

“Empatia, comunicação assertiva, escuta ativa, inteligência emocional, cooperação, ética e confiabilidade são habilidades fundamentais para construir conexões profissionais genuínas. Essas habilidades nem sempre são fáceis de desenvolver e algumas pessoas enfrentam mais desafios que outras, seja pelo perfil de personalidade ou por questões relacionadas à saúde mental.”

Do presencial ao digital

A construção dessas conexões também ganhou novos espaços com as plataformas digitais, redes profissionais, comunidades online, produção de conteúdo e participação em debates ampliaram as possibilidades de relacionamento entre estudantes, professores e profissionais de diferentes regiões do país.

No entanto, especialistas lembram que a tecnologia não substitui as experiências vividas dentro da universidade. Participar de aulas práticas, eventos científicos, palestras, visitas técnicas e projetos institucionais continua sendo uma das formas mais eficazes de desenvolver competências e ampliar a rede de contatos.

Para a Dra. Louise, é justamente a convivência universitária que transforma essas relações em oportunidades de desenvolvimento profissional e pessoal.

“A universidade é um espaço importante de interação social e de vivências profissionais. O contato com colegas, professores, técnicos, supervisores e profissionais dos campos de estágio permite desenvolver competências interpessoais que vão além dos conhecimentos teóricos, técnicos e científicos. Participar de projetos de pesquisa, extensão, monitorias, grupos de estudo, eventos acadêmicos e estágios favorece o trabalho em equipe, a comunicação, a liderança, a resolução de conflitos e a colaboração, além de aproximar pessoas que podem se tornar futuras parceiras de trabalho, pesquisa ou projetos profissionais.”

Ela destaca que o verdadeiro networking não está em acumular contatos, mas em construir relações duradouras que geram crescimento mútuo.

Ao promover semanas acadêmicas, congressos, projetos de extensão, pesquisas, atividades práticas e a aproximação constante entre estudantes e profissionais do mercado, a UNIFAN incentiva um ambiente em que o aprendizado vai além da sala de aula. Essas experiências contribuem para a formação técnica e humana dos estudantes, ampliando suas possibilidades de inserção no mercado de trabalho e fortalecendo conexões que podem acompanhar toda a carreira.

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