La Niña entra em colapso e El Niño deve retornar em breve, alerta o meteorologista

Reginaldo JúniorMundoDestaques1 mês atrás28 Pontos de vista

O monitoramento climático realizado pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (LAPIS), sediado na Universidade Federal de Alagoas, detectou um surpreendente aquecimento das águas superficiais e subsuperficiais do Oceano Pacífico Equatorial, na região conhecida como El Niño Oscilação Sul (ENOS). De acordo com o meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do LAPIS, esse aquecimento já está influenciando as condições atmosféricas e indica que o fenômeno La Niña entrou em colapso.

O LAPIS é a primeira instituição brasileira a divulgar, com exclusividade, essa mudança no comportamento do Pacífico, observada nos últimos 15 dias. Os mapas de variação térmica mostram tendência de aquecimento nas regiões oeste e central do ENOS, sinalizando uma rápida transição para o El Niño nas próximas semanas.

Segundo o professor Humberto Barbosa, o resfriamento característico do La Niña atingiu seu pico em novembro, mas desde então as temperaturas do Pacífico começaram a subir de forma acelerada. “Já há um colapso do La Niña pelo oeste do Pacífico, e esse aquecimento tende a aumentar conforme as anomalias de vento de oeste se intensificarem nas próximas semanas”, explicou o meteorologista em entrevista ao Bom Dia Agro.

Os dados apontam que, até o início de março, o cenário climático deve consolidar o fim do La Niña e o início de uma nova fase quente do ENOS (El Niño). Essa mudança impactará diretamente o clima brasileiro, com destaque para o Nordeste Setentrional, onde a tendência é de seca significativa até março, provocada por maior pressão atmosférica e estabilidade sobre o Atlântico Tropical.

Essa condição deve comprometer o comportamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) — principal sistema responsável pelas chuvas no Norte e Nordeste —, que não atuará de maneira contínua durante esse período. Com isso, o volume e a regularidade das precipitações devem permanecer abaixo da média, afetando atividades agrícolas e a recarga de reservatórios na região semiárida.

O fenômeno ENOS, que alterna entre suas fases quente (El Niño) e fria (La Niña), depende do acoplamento entre o oceano e a atmosfera. Sua chamada “impressão digital” pode ser observada na Circulação de Walker, um sistema de ventos que forma um verdadeiro “loop” atmosférico: o ar se move de leste para oeste sobre a superfície equatorial e de oeste para leste nas camadas superiores da atmosfera, modulando o regime de chuvas em diversas partes do planeta.

Barbosa reforça a importância do monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas, especialmente para o planejamento agrícola e hídrico do Nordeste. “As análises mostram que estamos entrando em um período de transição rápida, o que exige atenção redobrada de produtores e gestores públicos”, concluiu.

A entrevista com o meteorologista Humberto Barbosa está disponível nos perfis Bom Dia Agro e Bom Dia Feira.

Mais informações e atualizações climáticas podem ser acessadas no site oficial do Laboratório LAPIS: www.lapis.ufal.br

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