Brasil é o 2º país mais afetado por esquema de venda de aparelhos com vírus já instalado

Mayara NayllanneBrasil1 horas atrás13 Pontos de vista

Uma operação da Google com outras empresas de tecnologia derrubou uma rede que comandava mais de 1,3 milhão de dispositivos sem o conhecimento dos donos. Os aparelhos já saíam de fábrica com um programa malicioso chamado XCPE. A maioria era de TV boxes com Android. 

A empresa de cibersegurança Trend Micro afirmou que o Brasil foi o segundo país mais afetado, atrás apenas da Malásia. Ao todo, havia aparelhos infectados em 170 países. Iraque, México e Taiwan também estão entre os mais atingidos.

De acordo com a Google, a fabricante Videostrong, de Shenzhen, na China, instalou o programa de propósito. Com isso, a infecção não dependia de o usuário clicar em nenhum link suspeito. A empresa lucrava ao vender a criminosos o acesso aos aparelhos, usados para simular visualizações de anúncios e gerar receita publicitária.

Além das TV boxes, o programa foi encontrado em equipamentos de telemedicina, máquinas de karaokê e painéis de sinalização digital.

Vírus driblava a verificação do Google 

A Google firma contratos com fabricantes que oferecem seus serviços, contanto que cumpram requisitos e passem por testes de compatibilidade e segurança. A Videostrong teria usado técnicas para esconder o programa e burlar essas verificações. Assim, o código malicioso era carregado depois que o aparelho era ligado pela primeira vez.

A prática começou no fim de 2024: “Um fabricante de dispositivos infectar intencionalmente seus usuários com malware é uma quebra inaceitável de confiança e representa um risco sério para esses usuários”, afirmou a Google.

As relações com a Videostrong foram rompidas e ela foi proibida de produzir e vender aparelhos Android certificados, bem como fornecer software a outros fabricantes que já possuíam a certificação. O processo de revisão da Google também foi mudado para proteger os consumidores.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não participou da operação, que envolveu a Agência Nacional de Polícia do Japão e as empresas Lumen, HUMAN Security, Plume, Synthient e TrendAI.

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