
Feira de Santana amanheceu mais triste nesta sexta-feira (09) com a morte de Gilmar dos Santos, o eterno Biribinha, um dos maiores talentos já revelados pelo futebol feirense. A importância e o legado do jogador foram destacados em um depoimento emocionado do radialista Dilson Barbosa, durante o programa Bom Dia Feira, da Princesa FM.
Segundo Dilson, Biribinha foi muito além de um grande craque do Fluminense de Feira. “Feira de Santana, muitas vezes, não conhece suficientemente os seus ídolos. Biribinha rodou o mundo, foi jogador internacional, atuou no Cosmos de Nova York ao lado de Pelé, Beckenbauer e Bobby Moore”, relembrou.
Cria dos campos de terra da Estação Nova, sob os cuidados de Seu Arsênio Santos, Biribinha fez parte de uma geração histórica do futebol local. Atuando como ponta-esquerda, formou dupla com Joãozinho, mais conhecido como Nunes, futuro campeão mundial pelo Flamengo em 1981. “Esses dois rapazes fizeram o mundo se ajoelhar perante eles”, afirmou Dilson.
A trajetória de Biribinha também passou pelo futebol internacional, com experiências nos Estados Unidos, México e Europa, levado por outro grande ídolo feirense, Renato Azevedo, campeão baiano de 1969 com o Fluminense de Feira. Amigo pessoal de Pelé, Biribinha era conhecido pelo talento, pela irreverência e por viver o futebol com alegria, sem apego ao dinheiro. “Ganhou muito, mas dizia: ‘dinheiro é para gastar’”, contou o radialista.
De volta a Feira de Santana, Biribinha enfrentou problemas de saúde, incluindo complicações da diabetes que resultaram na amputação de uma perna, mudando radicalmente sua vida. Mesmo assim, seguiu contribuindo com o esporte e a cultura, trazendo nomes como Paulo César Caju e Afonsinho para palestras na cidade.
Fora dos gramados, Biribinha também marcou época pela amizade com os Novos Baianos, integrando a convivência do grupo liderado por Moraes Moreira, Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor e o feirense Pepeu Gomes, que chegou a homenageá-lo com a música “Biribinha nos States”.
Dilson Barbosa encerrou o depoimento ressaltando a necessidade de homenagens ao jogador. “É uma grande perda para Feira de Santana. O esporte da cidade precisa reverenciar Biribinha, essa estrela que vai brilhar no céu e servir de referência para quem quer jogar futebol com alegria”.
O radialista também deixou seus sentimentos à família e destacou o simbolismo da partida de Biribinha, dias após a morte de Itajay Pedra Branca. “Meu coração está de luto de novo”, concluiu.
Biribinha parte, mas deixa um legado imortal no futebol, na cultura e na memória afetiva de Feira de Santana.





