
A ex-deputada federal Dayane Pimentel (União) decidiu deixar de lado as profundas divergências que acumulou com o bolsonarismo nos últimos anos e anunciou, nesta quarta-feira (7), apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa pela Presidência da República. A ex-parlamentar, no entanto, fez questão de classificar a adesão como um “apoio crítico”.
“Poderia anular meu voto, mas coragem sempre foi uma marca da minha trajetória. Tive divergências profundas com a família Bolsonaro. Discordei, me posicionei, não me calei. Não apago o que aconteceu. Não abro mão de quem sou. Mas política não se faz apenas a partir das nossas divergências. O Brasil sempre será maior do que tudo isso”, afirmou Dayane.
A decisão chama atenção pelo histórico de embates da ex-deputada com o bolsonarismo. Eleita deputada federal em 2018 pelo então PSL, com 136.742 votos, Dayane chegou à Câmara como uma das principais representantes de Jair Bolsonaro na Bahia. A relação, porém, desmoronou durante a crise interna do partido, quando ela se colocou contra a tentativa do então presidente e de seus filhos de controlar a legenda.
O rompimento extrapolou as divergências partidárias e ganhou contornos pessoais. Em 2020, Dayane afirmou ter se sentido “traída” por Bolsonaro e acusou o então presidente de agir para proteger os filhos. No ano seguinte, após Eduardo Bolsonaro publicar uma imagem na qual ela aparecia com um alvo sobre o rosto e era chamada de “traidora”, a então deputada apresentou representação no Conselho de Ética da Câmara e anunciou que procuraria também as autoridades policiais.
Sete anos depois do rompimento, Dayane agora afirma que suas convicções conservadoras pesaram na decisão de apoiar Flávio. “Sou mulher, cristã, conservadora. Meus princípios permanecem os mesmos. Ouvi pessoas em quem confio e tomei a decisão de apoiar Flávio no segundo turno. Será um apoio crítico”, declarou.
A ex-deputada afirmou ainda cobrando de Flávio a defesa de bandeiras como a redução da maioridade penal e o fim da reeleição, e ressaltou que permanecerá politicamente ligada ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) e ao seu grupo.
A adesão a Flávio acontece apenas três dias depois de Dayane amargar seu pior desempenho eleitoral desde que entrou na política. Candidata novamente a deputada federal, ela recebeu apenas 5.207 votos em toda a Bahia, contra 29.979 em 2022 e 136.742 na eleição que a levou à Câmara, em 2018.
O resultado ganha ainda mais dimensão diante do volume de recursos colocado à disposição da candidatura. Dados da prestação de contas eleitoral apontam que Dayane recebeu aproximadamente R$ 3,05 milhões em recursos, dos quais R$ 3 milhões vieram do União Brasil. As despesas declaradas somaram cerca de R$ 2,96 milhões.
Com informações do Politica Livre






