Antologia Escritas Quilombolas une 67 autores em obra histórica no Território de Matinha, em Feira de Santana.

Reginaldo JúniorCultura e Entretenimento4 minutos atrás7 Pontos de vista

Organizado por lideranças comunitárias, o livro registra memórias, lutas e ancestralidade do povo quilombola de Moita da Onça. O lançamento ocorre em outubro com programação cultural e cunho beneficente.

A literatura baiana ganha uma contribuição histórica e pulsante com o lançamento da Antologia “Escritas Quilombolas: História, Cultura e Saberes Ancestrais”. Fruto da articulação coletiva e da necessidade visceral de registrar vivências, saberes e tradições, a obra reúne textos de 67 autores de diversas faixas etárias, originários e conectados ao cotidiano, às lutas e à sabedoria ancestral da Comunidade Quilombola de Moita da Onça, situada no Território de Matinha, e das demais comunidades quilombolas de Feira de Santana, bem como de quilombos de outras regiões da Bahia e do Brasil.

Organizada pelas lideranças comunitárias Ednalva Santos da Silva e Rita de Lima Ferreira Pedreira, a publicação transcende o formato literário tradicional: constitui-se como um instrumento de reparação histórica, emancipação e resistência contra séculos de apagamento e inferiorização cultural. A obra reúne textos abrangendo desde crianças até griôs, incluindo uma idosa de 103 anos que contribuiu oralmente por não ser alfabetizada.

Inspirada na célebre máxima do pensador quilombola Nego Bispo — “Vamos falar de nós ganhando, porque para falar de nós perdendo, eles já falam” —, a obra coloca o povo quilombola no lugar de sujeito e narrador de sua própria história. Conforme destacam no prefácio as autoras Hely dos Santos Pedreira e Railma Santos Souza, os textos convidam o leitor a imergir em epistemologias plurais, enaltecendo a diversidade e o profundo vínculo com a terra e com os elementos da natureza.

A materialização do projeto conta com a parceria da Rubi Editorial, editora reconhecida pelo compromisso com o legado africano, afro-brasileiro e indígena. Mais do que um lançamento literário, o evento foi concebido como um grande ato de “aquilombamento” — termo que evoca união, acolhimento e fortalecimento comunitário.

Em consonância com o princípio da “dororidade” e da construção coletiva, o evento possui caráter beneficente. A organização convida o público presente a colaborar com a doação de 1 kg de alimento não perecível, reafirmando o compromisso social e o cuidado humanitário com o próximo.

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