Tarifaço dos EUA pode elevar preços e impactar economia da Bahia e de Feira de Santana, alerta economista da Uefs

Reginaldo JúniorDestaquesEconomia4 horas atrás3 Pontos de vista

O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros acendeu um alerta para os possíveis impactos na economia nacional, da Bahia e de Feira de Santana. A medida estabelece uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos exportados pelo Brasil e, para o economista e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Gesner Brehmer, a decisão aumenta a tensão comercial entre os dois países, mas seus efeitos iniciais devem atingir setores específicos.

“O anúncio dos Estados Unidos de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros aumenta a tensão comercial entre os dois países e reacende o debate sobre os impactos dessa medida na economia nacional, na economia baiana e na economia ferrense”, afirmou.

Segundo o economista, apesar da preocupação, os principais produtos da pauta de exportação brasileira, baiana e feirense ficaram de fora da nova cobrança.

“Essa decisão, embora impactante, a princípio vai gerar apenas um impacto setorial. Os principais produtos importantes da pauta de exportação brasileira, baiana e ferrense ficaram de fora, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo e medicamentos.

No entanto, Gesner Brehmer destaca que a sobretaxa afetará segmentos importantes para a economia da Bahia e que possuem forte presença em Feira de Santana.

“Esse impacto vai ser setorial em setores que são importantes, principalmente aqui na economia baiana e que, queira ou não, afetam a economia de Feira, como máquinas agrícolas, calçados, confecções, papel, açúcar e bens de capital e manufaturados.”

De acordo com o professor da Uefs, o aumento dos custos de exportação tende a repercutir em toda a cadeia produtiva. No caso das máquinas agrícolas, por exemplo, os efeitos podem alcançar o agronegócio e influenciar os preços dos alimentos.

“A partir do momento que a gente tem um impacto em máquinas agrícolas, mexe com todo o agronegócio, mexe com toda a cadeia de alimentos. Esse aumento de custo terá que ser repassado ao preço.”

O especialista também chama atenção para o setor calçadista, que possui forte participação no comércio de Feira de Santana.

“Um outro setor que vai ser bastante impactado aqui na nossa cidade são os calçados. A gente tem um comércio muito pujante de calçados, então, a partir do momento que eles ficam mais caros, isso também será repassado para o consumidor.”

Na avaliação de Gesner Brehmer, o aumento dos custos pode provocar um cenário de inflação, reduzindo o poder de compra da população e influenciando a política monetária do país.

“Aumento de custo gera aumento de preço, e aumento de preço gera inflação. Isso pode fazer com que o Banco Central tenha que interromper a política de corte de juros que vem acontecendo desde o final do ano passado.”

Apesar das incertezas, o economista acredita que existem caminhos para reduzir os impactos da medida. Um deles é ampliar as exportações para outros mercados, especialmente a China, atualmente o principal parceiro comercial do Brasil.

“A perspectiva agora é que o Brasil possa redirecionar essas exportações para outros mercados. A China já é o principal parceiro comercial brasileiro, mas isso também gera um debate sobre até que ponto a economia brasileira está dependendo do mercado chinês.”

Por fim, Gesner Brehmer avalia que a situação ainda pode mudar por meio da diplomacia entre os dois países.

“Caso os adultos entrem na sala, como eu gosto de dizer, pode ser que essas tarifas não durem muito tempo ou até sejam canceladas. Estamos falando de países que mantêm relações diplomáticas há cerca de dois séculos.”

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