
A possível aprovação da escala de trabalho 5×2 no Brasil pode trazer mudanças importantes para a economia e para os trabalhadores de Feira de Santana. Em entrevista ao programa, o economista e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Gesner Brehmer, avaliou os impactos imediatos e de longo prazo da medida, destacando que a cidade, por ter forte vocação comercial e de serviços, precisará passar por um período de adaptação.
Segundo o professor, o principal desafio inicial será a adequação das empresas ao novo modelo de jornada. “Se a reforma for aprovada de maneira abrupta, ela vai aumentar os custos empresariais de forma imediata, e muitas empresas ainda não estão preparadas para absorver essa mudança”, explicou. Para evitar impactos mais severos, como aumento do desemprego, Brenner destacou a importância de uma regra de transição para que empresários reorganizem custos e estruturas produtivas.
O economista ressaltou ainda que a mudança da escala 6×1 para 5×2 precisa vir acompanhada de outras reformas, como a tributária, trabalhista e educacional. “A escala 5×2 é ótima e representa um ganho importante para os trabalhadores, mas ela sozinha não garante desenvolvimento econômico a longo prazo”, afirmou.
Para Feira de Santana, os primeiros reflexos da nova escala podem ser percebidos principalmente nos setores de lazer, turismo e saúde do trabalhador. Com mais dias de descanso, a tendência é que haja aumento no consumo de atividades de entretenimento e melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente na saúde mental.
Gesner Brehmer também destacou que a redução da jornada pode contribuir para o aumento da produtividade. “A partir do momento em que você reduz a jornada de trabalho, o trabalhador tende a desempenhar suas atividades de maneira mais tranquila e produtiva”, pontuou.
O professor lembrou ainda que países que já adotam modelos semelhantes avançaram simultaneamente em áreas como educação, tecnologia e desburocratização. “Sem educação, não adianta fazer reforma 5×2 ou até 4×3. É preciso melhorar os índices educacionais e tecnológicos para que os resultados positivos apareçam ao longo dos próximos anos”, concluiu.
As informações são do reporter Reginaldo Junior





