Dia Nacional da Caatinga: Cientistas estudam biodiversidade ameaçada na Gruta dos Brejões

Reginaldo JúniorFeira de Santana11 meses atrás96 Pontos de vista

Hoje, 28 de abril, é celebrado o Dia Nacional da Caatinga. Com uma área de 912.000 km², o bioma é caracterizado como uma floresta tropical sazonalmente seca, cuja vegetação evoluiu para se adaptar à escassez de água. As plantas da Caatinga desenvolveram adaptações únicas para prosperar em um ambiente marcado por chuvas irregulares e secas prolongadas. Como resultado, a vegetação é dominada por árvores de folhas pequenas e espinhosas, troncos retorcidos, suculentas e ervas que respondem eficientemente a baixos níveis de precipitação (entre 300 e 1.000 mm/ano).

Desde ontem (27), um grupo de cientistas de doze universidades e centros de pesquisa, liderados pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), realiza uma expedição na localidade da Gruta dos Brejões, no município de Morro do Chapéu (BA). O objetivo é estudar as plantas e animais da Caatinga na região. A iniciativa integra o Programa de Pesquisas sobre a Biodiversidade do Semiárido (PPBio Semiárido), que conta com apoio financeiro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Durante a expedição, estão sendo realizados estudos sobre espécies de plantas, peixes, serpentes, lagartos, rãs, morcegos e mamíferos terrestres da área da Gruta dos Brejões. Outros doze locais na Caatinga também estão sendo pesquisados. A Gruta dos Brejões foi escolhida por representar um tipo particular de vegetação, a Caatinga Rupícola, que se desenvolve em afloramentos rochosos, solos rasos ou fendas de rochas. As raízes das plantas são adaptadas para se fixar e buscar água e nutrientes entre as rochas, uma característica típica dos solos da Chapada Diamantina.

De acordo com os pesquisadores, a Caatinga abriga cerca de 1.200 espécies de animais e 6.000 espécies de plantas e fungos. No entanto, estima-se que cerca de 80% do bioma já tenha sido alterado por atividades humanas, como desmatamento, pastoreio e mineração. Há também uma crescente preocupação com os efeitos das mudanças climáticas e da desertificação. Segundo estudos com imagens de satélite, cerca de 13% do semiárido brasileiro (126.336 km²) apresenta áreas suscetíveis à desertificação.

Para Evandro do Nascimento, pesquisador da UEFS e coordenador da divulgação científica do PPBio Semiárido, a preservação da Caatinga é urgente. “Algumas espécies podem desaparecer para sempre se as agressões ao meio ambiente continuarem. Para preservar a fauna e a flora, é fundamental conhecê-las cientificamente, e é por isso que estamos realizando essas expedições”, destaca.

Além da importância ambiental, os pesquisadores ressaltam o potencial econômico da biodiversidade da Caatinga. A riqueza natural do bioma pode impulsionar as economias locais, com a produção de alimentos derivados do umbu e do licuri, o uso de plantas medicinais, materiais para artesanato, além de descobertas em biotecnologia voltadas para bioinsumos agrícolas e medicamentos.

 

Fontes:

PPBio Semiárido – UEFS

LAPIS – Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite – UFAL

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