A PUSILANIMIDADE COMO RETÓRICA

Foto: Divulgação

A semana que passou foi a prova cabal de como a pusilanimidade pode ser a marca de um governo. O que se viu na esfera federal perpetrada por aqueles que ao menos deveriam respeitar os que elegeram, se escoram em raciocínios torpes para justificar a indiferença que nutrem para os mais pobres a soldo de tentar o explicar o injustificável.

Comecemos pelo veto presidencial ao auxilio a distribuição gratuita de absorventes às mulheres em situação de pobreza. A alegação de Bolsonaro foi de que a lei que permitia a sua distribuição não apontava a fonte de recursos. E que se fosse sancionada poderia incorrer em crime de responsabilidade. Pura cascata. O dinheiro viria do orçamento primário que banca o SUS, no caso o Fundo Penitenciário. Tá lá na lei para quem quiser ver. O Bolsonaro negou o projeto aprovado nas duas casas do Congresso Nacional porque teve sua origem de uma deputada do PT. Só por isto que ele vetou. Como não pode vetar se utilizando deste argumento, inventou uma lorota para enganar besta, quer dizer, errei de bicho, o gado.

Existe uma faixa da população que não tem em média 12 reais para gastar por mês com absorventes femininos. Sim, a nossa pobreza é grande e indecente. A falta deste item de higiene afasta por 45 dias de aulas adolescentes, quando não são vítimas de doenças por falta de um produto tão básico. O governo federal está pouco se lixando para os pobres. Mas o pior, se isto é possível, foi os argumentos dos descerebrados defendendo o veto presidencial da lei.

Comecemos por aquela que se diz ministra e que viu Jesus Cristo subir na goiabeira e ainda o aconselhou a não subir, pois poderia se machucar. Sim, tem gente deste naipe no governo federal. Pois bem, a ministra Damares deu uma declaração dizendo o seguinte: “a prioridade é vacina ou absorvente?”. A frase pusilânime demonstra como o pobre é visto pelo governo federal. Eles devem escolher entre uma coisa ou outra. Não lhes é permitido um mínimo de dignidade e ainda pior, não se pode ter tudo. Para eles, essa gente pobre, não se pode dar a mão que se quer o braço. E observem que a distinta é ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos. Ela ainda teve a cara de pau de dizer que nenhum governo anterior se preocupou com isto. E se depender dela e do que diz, o governo atual também não fará nada. É uma gente asquerosa.

O interessante é que não faltou dinheiro repassado secretamente para a turma do centrão que ficou na casa dos bilhões, como toda a imprensa noticia. Quando se destina uma ínfima parte dos recursos federais aos mais pobres, se sai com a mentira de que se aprovada incorreria em crime de responsabilidade. Lembrando que o presidente do Senado já vaticinou. O veto será facilmente derrubado no Congresso Nacional. Acho que nunca vi tantos vetos as leis serem derrubadas no parlamento.

Outra declaração pusilânime foi do ministro da saúde, esta sumidade da incompetência que declarou que é contra a obrigatoriedade do uso das máscaras como prevenção a transmissão da covid. Acreditem que ele usou como argumento uma comparação com o uso do preservativo masculino. Inacreditável que um médico diga isto com a maior desfaçatez. É como comparar vatapá com marshmallow. Não sabe o ministro, quando obriga o cidadão a usar uma máscara para evitar a transmissão de um vírus, não está em questão a liberdade individual que deve ficar em segundo plano, mas se está em jogo a saúde coletiva. Se não quer usar a máscara, que se vá morar numa caverna. O que não pode é prevalecer o direito individual sobre o direito coletivo. Mas o ministro, que tem demonstrado um amor incomensurável ao cargo que ocupa, busca sempre agradar seu chefe, e que, portanto, vá às favas o mínimo das regras que moldam a civilidade de um povo. Às vezes chego a duvidar se inteligência é um ingrediente presente nesta gente. Me parece que não.

Outra pusilanimidade foi o corte de 92% das verbas para pesquisa científica e de oferta de bolsas de estudo aos cientistas. O ministério da fazenda requisitou ao Congresso Nacional e cortou este percentual dos cientistas brasileiros. É o maior corte já feito a pesquisa científica no Brasil. O ministro da ciência e tecnologia, aquele que parece que vive no mundo da lua e fez uma viagem ao espaço para plantar um caroço de feijão, disse que ficou tão chateado com o corte que pensou em sair do governo. E eu achava que já tinha saído há muito tempo. Mas mudou de ideia. Afirmou que se saísse seria uma traição à classe, e preferiu ficar para tentar reverter o corte das verbas. Pelo andar da carruagem, acho difícil reverter

Pois é caros amigos, são estes desastres descritos aqui neste texto que reforçam o estado de miserabilidade que se instalou no Planalto, com o pior governo que já passou em nosso país. Vivemos cercados de gente asquerosa, preconceituosa, atrasada e liderados por um presidente na mesma toada. E onde, como diz o jornalista da Folha de São Paulo Josias Souza: o grande déficit do presidente da república está no intervalo entre uma orelha e outra. Tenho dito

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