O NEGACIONISMO EDUCACIONAL: O BRAÇO DA IGNORÂNCIA

Foto: Divulgação

Ouvindo na semana passada o comentário do filósofo e professor Luis Felipe Pondé na TV Cultura. Foi-lhe perguntado qual a pior herança do governo Bolsonaro, disse sem pestanejar tratar-se da educação. Segundo Pondé, as pautas defendidas pelo atual governo federal em relação à educação se resumem a aspectos laterais sem nenhuma vantagem no aprimoramento da qualidade do ensino.

A educação pública brasileira já é ruim a décadas. Isto é fato. A muito que o Brasil e seus governantes nunca tiveram nas centralidades de seus planos de governo a educação como mola propulsora de mudanças sociais e desenvolvimento como um todo. Aqui ou ali são tomadas medidas para alavancar melhorias no ensino, mas que até agora sempre foram tímidas. E muitas destas medidas têm o caráter de que são tomadas em razão do próprio processo evolutivo das políticas públicas e não porque foram tomadas para efetivar uma melhora.

O Bolsonarismo por sua vez além de nada a fazer a favor da educação, e isto se nota pela qualidade de seus ministros que ocuparam a pasta, tendo um que beirava o analfabetismo, o atual, mesmo sendo brilhante como uma lâmpada queimada continuou com a ruindade reinante no atual governo federal. Para aplacar o mugido do gado, trago números do IBGE que corroboram a incompetência generalizada do governo federal. 16,6% de crianças e adolescentes de baixa renda, ou seja, dos que ganham meio salário mínimo por mês não foram à escola em 2020. Dos 48,2 bilhões do orçamento destinado à educação básica em 2020, apenas 32,5 bilhões de reais foram utilizados. Estes números não são inventados ou colhidos pela imprensa comunistas. São todos retirados de órgãos oficiais.

A atuação do ministério da educação na pandemia variou de desastre para catastrófico. Isto não será percebido agora, mas daqui alguns anos, daqui poucos perceberem a tragédia que se anuncia. Teremos um contingente imenso de jovens sem formação ou com formação seriamente comprometida que terá impactos no desenvolvimento econômico. 5% dos alunos do ensino fundamental abandonaram as escolas e 10% do ensino médio. Isto representa milhões de jovens sem formação mínima para encarar um emprego com melhor remuneração.

Aliado a este cenário trágico de falta de gestão na Educação, ainda temos que conviver com pautas politicas de um governo extremista e incompetente que discute homescooling, uma estrovenga que permite que os jovens possam ser educados no ambiente de suas casas pelos pais ou algum professor, ou então, negar o recurso de 3 bilhões de reais para implantar a internet nas escolas públicas.

Ainda na seara do comentário de Luiz Felipe Pondé na televisão, este afirmou que a preocupação de Bolsonaro é utilizar a educação como ponta de lança no combate ao comunismo, aquilo que este descerebrados chamam de guerra cultural. Bolsonaro por ser obtuso, não se dá bem com a intelectualidade. Tudo aquilo que no seu universo não é compreendido, é taxado de socialista ou comunista. Como é patente que o mesmo nunca leu nada na vida, se ele não compreende um discurso mais elevado ou qualificado intelectualmente, se escora no argumento de que o sujeito é de esquerda. O presidente da república não gosta de intelectual e combate cientistas e professores. Resultado disto tudo? Cortes nas pesquisas subsidiadas pelo governo federal, fuga de cérebros para países que investem sistematicamente na ciência. Com isto se vai criar um vácuo no desenvolvimento científico e por tabela torna o país mais dependente economicamente.

A destruição sistemática do CNPQ com a redução drástica de bolsas e recursos no governo Bolsonaro, por exemplo, na cabeça dele, aquilo é um foco de comunistas, portanto, deve ser estrangulado a fim de extirpar o esquerdismo. Não precisa ir muito longe, basta lembrar o embate dele com o ex-presidente do Inep. O desastre que se encontra a educação básica independente da pandemia não é o mais grave dos problemas. Outro ponto muito bem lembrado por Pondé é a redução drástica da concessão de bolsas. O fato do governo federal conceder estas bolsas de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado é para formar uma classe de intelectuais que dão sustentabilidade ao desenvolvimento tecnológico e econômico ao pais, bem como respeitabilidade internacional no campo da pesquisa científica. Mas para Bolsonaro a única coisa científica que importa é o grafeno e olhe lá.

Os ministros da educação que já compuseram o governo Bolsonaro e o atual, que nem o nome sei e prefiro continuar não sabendo, é de uma nulidade sem par. Os escolhidos para ocupar cargo tão importante, são selecionados para pôr em prática a ideologia da extrema direita, qual seja, impedir a pluralidade do debate acadêmico e odesenvolvimento científico. Daí se preocupar com inutilidades como homeschooling, quando nós temos problemas muito mais urgentes na educação que precisam ser enfrentados.

Infelizmente com o governo que está aí, caminhamos a passos largos para insignificância educacional e científica. O preço a se pagar é o atraso e o obscurantismo. E reverter este estado de coisa leva muitos anos.

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