Desistência de Simone Biles reforça papel da saúde mental no esporte; psicólogo do COB explica

Em entrevista especial ao Bom Dia Feira, o psicólogo do Esporte do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Edu Cillo, ressaltou que o psicológico do competidor interfere diretamente na performance do atleta e no consequente resultados das competições.

Foto: Divulgação

Simone Biles, a maior ginasta de todos os tempos, chegou à Tóquio sob muita pressão para conquistar medalhas. Ao decidir ficar fora de pelo menos duas competições para cuidar de si e recuperar a autoconfiança, ela abriu uma discussão sobre a saúde mental dos esportistas, principalmente durante as competições.

Em entrevista especial ao Bom Dia Feira, na manhã desta sexta-feira (30), o psicólogo do Esporte do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Edu Cillo, explicou que cerca de 30 profissionais estão dedicados exclusivamente à preparação mental dos atletas que fazem parte de todo o sistema voltado para a disputa dos Jogos Olímpicos.

‘Nós acompanhamos atletas, equipes, treinadores, no sentido de melhorar a performance, aumentar a chance de bons resultados, mas sempre de olho também no cuidado com os excessos. A vida do atleta de alto nível é uma vida de muitos sacrifícios, a pressão e o nível de desafio são sempre grandes, nunca tem dia de descanso e quando tem, é quando eles estão se recuperando de um treino, se preparando para o próximo, então o esgotamento é um risco que está sempre por perto e quando ele chega nesse ponto, está além do limite e até quer entregar mais, porém não consegue e precisa desse descanso físico e mental’, afirma.

Edu descreve ainda que o fator psicológico do competidor interfere diretamente na performance do atleta e no consequente resultados das competições.

‘Se a gente tiver dois atletas e duas equipes no mesmo nível de preparação em uma disputa, os aspectos psicológicos vão ser decisivos para decidir quem vai ganhar ou perder, então não é incomum a gente ver a responsabilidade do psicológico quando não conseguir concluir algo. No esporte, as pessoas estão entendendo que precisamos de serviços psicológicos específicos durante todo o processo de treinamento, não basta chamar o psicólogo só para um jogo específico, não tem como fazer milagre’, pontua.

Nesta edição das Olimpíadas, os atletas têm usado bastante as redes sociais e os ânimos vêm ficando exaltados, com controvérsias saindo das redes para as manchetes. A última delas foi a discussão entre Bárbara, goleira do futebol feminino, e Andrea Pontes, atleta da paracanoagem.

O crescimento das polêmicas fez com que o COB, nesta quinta-feira (29), soltasse um comunicado reforçando a orientação de afastando das redes sociais.

‘Se o atleta não está blindado, você consegue chegar nele, nesse sentido as redes são positivas porque aproximam, mas os atletas precisam saber lidar com a tentação de ficar transmitindo tudo que acontece nos bastidores, como ele está se sentindo, o que ele está pensando, emitindo opiniões, porque o descanso do atleta profissional é fundamental, faz parte da preparação, ele precisa permitir que o corpo e a cabeça estejam prontos para o próximo desafio. Os haters vão com muita facilidade fazer críticas que nem sempre são construtivas, é muito fácil a gente criticar um desempenho, mas na prática são ações de muita intensidade, de muita força’, orienta o psicólogo.

Uma das grandes surpresas dos Jogos Olímpicos deste ano foi o desempenho da brasileira Rayssa Leal, de 13 anos, que conquistou a medalha de prata no skate street. A idade da conhecida ‘fadinha do skate’ levanta a discussão das vantagens e desvantagens que a pouca idade pode ter em uma competição à nível mundial como as Olimpíadas.

‘Ela nos surpreendeu porque ela foi muito natural, o modo como ela apareceu foi muito próprio dela, a forma como ela lidou, por ser muito nova, com os jogos foi como se estivesse competindo no quintal de casa, estava a vontade, se divertiu, dançou, brincou, e isso com certeza ajudou a fazer o melhor dela e conquistar a medalha, mas agora tem uma preocupação porque muito rapidamente ela ganhou milhões de seguidores e essas pessoas todas vão tentar chegar a ela de alguma forma. Ela precisa estar blindada, ter um filtro para não perder o foco, para não ficar estressado e que isso não leve a exaustão por excesso de expectativa e pressão’, destaca Cillo.

Assista a entrevista na íntegra:



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