Portadores de doença falciforme apelam à Prefeitura por atendimento de urgência e emergência

A Associação pede aos vereadores "que possam buscar resolver esta situação" e defende, na Câmara, a criação de uma lei afirmando o direito do serviço médico de urgência para esses pacientes.

Foto: Divulgação

A Secretaria de Saúde de Feira de Santana deve designar uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) para a assistência em urgência e emergência de pessoas portadoras de anemia falciforme no município. A reivindicação é do coordenador da Associação das Pessoas com Doença Falciforme, Fabrício Cabral do Nascimento, que nesta quinta (10) fez um pronunciamento sobre o assunto na Tribuna Livre da Câmara. O dirigente informa que, em reunião ocorrida há dois meses, propôs ao secretário de Saúde, Marcelo Britto, a criação de protocolo para o atendimento desses pacientes em UPA e policlínica. Também apelou à responsável pelo Centro Municipal de Referência à Pessoa com Doença Falciforme, Luciana Lima. "Até hoje (o protocolo) não saiu. As pessoas não aguentam mais esperar, serem negligenciadas", reclama.  
 
Enquanto isso, ele diz, pacientes comparecem à UPA e policlínica, "que não são capacitadas e não dão o suporte necessário". São enviadas de volta para casa sem atendimento. Fabrício vê "racismo institucional" sendo cometido por médicos e enfermeiros. A doença acomete principalmente indivíduos negros, que são chamados de "viciados", ou "drogados" devido ao uso de morfina para aliviar a dor. "Duvidam do paciente, que fica horas esperando um atendimento".  Relata que há menos de dois meses uma gestante faleceu no Hospital Estadual da Criança (HEC) por "negligência médica", em razão de que  "não reconheceram (na paciente) a doença falciforme". 
 
A Associação pede aos vereadores "que possam buscar resolver esta situação" e defende, na Câmara, a criação de uma lei afirmando o direito do serviço médico de urgência para esses pacientes. "Temos pessoas que telefonam na madrugada pedindo socorro, pois policlínica e UPA não querem atender.  A doença, que não tem cura, na maioria das vezes incapacita os seus portadores e uma complicação pode matar em minutos".
  
Fabrício Cabral diz que a situação dos que convivem com a doença agravou-se desde que o Hospital Dom Pedro de Alcântara deixou de atender a este público, exatamente há um ano. Lamenta que a Prefeitura e o Estado não tenham adotado qualquer medida diante da suspensão dos serviços que o HDPA prestou por 12 anos.  "É grave que a então secretária de Saúde no Município, Denise Mascarenhas, nada fez. Assim como o Núcleo Regional de Saúde, do Estado da Bahia, também órgão gestor, não fez nada.  Aceitaram que os pacientes ficassem a ver navios, dentro de uma pandemia", protesta. A propósito, ele registra, "somos propensos a complicações severas em relação à Covid-19". Lembra que o Estado fez duas notas técnicas reconhecendo isto. 
 
No dia 19 de junho comemora-se o Dia Mundial dedicado à causa, data estabelecida pela ONU. "Em Feira não há o que comemorar. Somos o Estado com maior incidência de doença falciforme no país e continuamos sendo humilhados", afirma.  São cadastradas mais de 500 pessoas portadoras da doença falciforme, no Centro de Referência Municipal. A associação que defende esses pacientes vê a necessidade de um censo para conhecer os números reais. "Temos quilombos, onde pessoas sofrem da doença mas não a identificam", observa.

Informações Ascom Câmara 
 

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