Cerca de 3% a 6% das crianças que tem Covid, são internadas; taxa de óbitos nunca passou de 1%

'Esses dados nos dão a tranquilidade de afirmar que crianças evoluem menos grave, transmitem menos e vão ter sintomas bem mais tranquilos e na maioria até assintomático', analisa o médico infectologista do Hospital da Criança, Dr. Igo Araújo.

Foto: Divulgação

Desde a início da pandemia, em março de 2021, Feira de Santana registrou mais de 42 mil casos de Covid-19. Nesta semana, a cidade atingiu o recorde de casos ativos da doença, com 6 mil infectados.

Paralelo ao aumento dos casos, está a lotação dos leitos. Nas últimas semanas, o público infantil vem, infelizmente, preenchendo um maior espaço nesses índices. No início da manhã desta quinta-feira (10), a enfermaria pediátrica do HEC estava com 69% de ocupação, já a UTI pediátrica, com 100% de ocupação.

Ao Bom Dia Feira, na manhã de hoje, o médico infectologista do Hospital da Criança, referência no tratamento de Covid no estado da Bahia, Dr. Igo Araújo, destacou que o aumento é proporcional ao registrado em adultos e, em geral, as crianças apresentam casos mais leves da doença.

'Se a gente pegar os dados da Secretaria de Saúde do Estado, deste mesmo dia no ano passado, até hoje, duplicamos em porcentagem os casos de criança, do mesmo jeito que houve em adultos, o que representa um aumento proporcional. A gente costuma dizer que os dados nos mostram que de 3% a 6% das crianças que tem Covid, são internadas, mais ou menos, 3.500 foram internadas durante a pandemia, o que a gente vê em dois dias de internamento entre adultos no Brasil. Esses dados nos dão a tranquilidade de afirmar que crianças evoluem menos grave, transmitem menos e vão ter sintomas bem mais tranquilos e na maioria até assintomático. A taxa de óbitos nas crianças, independente de mês, na pandemia, nunca passou de 1%', afirma.

Assim como no tratamento para adultos, geralmente as crianças recebem tratamento direcionado ao controle de sintomas.

'Se eu tenho de 3% a 6% se internando, eu vou ter o restante de 97% em casa, e o tratamento ambulatorial, a gente vai controlar os sintomas, as crianças que tem tosse, nariz escorrendo, a gente vai controlar com sintomas para dor, xarope. Algumas precisam de respirador, antibióticos, depende muito da evolução de cada caso, é um quadro gripal, alguns evoluem para pneumonia, a maioria já possui alguma comorbidade e temos que andar de mão dados com essa causa', relata o Dr. Igo.

Em função da pandemia, as aulas, principalmente para a classe infantil, estão suspensas para as atividades presenciais, desde o ano passado. O fato, opina o médico, pode não determinante para maior transmissão do vírus. Segundo ele, é possível um retorno seguro.

'Cautela sempre, mas eu sou a favor da volta, eu acho que a escola precisa ser a última a ser fechada e a primeira a ser reaberta, não por eu achar, mas temos que confiar na ciência. Não tem como na Bahia ser diferente do mundo, nos locais que voltaram a abrir as escolas, comparando com o que não abriu, as taxas de infecção nas crianças foi insignificante para determinar que a escola foi responsável pelo aumento. É preciso deixar secretaria de Educação e Saúde bem amarrado, é preciso um entendimento da volta, não é fácil, mas é preciso amadurecer essa ideia para ontem', relata.

O pediatra pontua ainda que, a suspensão das aulas, ocasiona um impacto na saúde mental dessas crianças.

'Há maior possibilidade de atraso de linguagem, atraso de cognição, crianças mais estressadas, crianças com maior dependência de telas. Vemos um grande aumento de impactos sociais e emotivos para as crianças. A pandemia veio para nos dar o quanto é importante a escola e contato social para essas crianças', diz. 

Assista a entrevista na íntegra:  

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