Ford fecha acordo coletivo com sindicato para encerrar produção de automóveis em Camaçari

Fábrica tinha cerca de 4 mil empregados pela empresa. Acordo coletivo foi aprovado pela ampla maioria dos empregados em votação realizada nesta quarta-feira. Proposta aprovada inclui compensação financeira adicional às verbas rescisórias

Foto: Divulgao

A empresa Ford informou nesta quarta-feira (12) que fechou um acordo coletivo negociado com o Sindicato dos Metalúrgicos por causa do encerramento da produção na unidade de Camaçari, que fica na região metropolitana de Salvador. A fábrica tinha cerca de 4 mil empregados.

Segundo a Ford, o acordo coletivo foi aprovado pela ampla maioria dos empregados em votação realizada nesta quarta-feira. A proposta aprovada inclui uma compensação financeira adicional às verbas rescisórias:

Empregados operacionais: 2,05 salários nominais por ano trabalhado valor fixo adicional conforme faixas pré-definidas, com garantia de indenização mínima de R$ 130 mil.

Empregados administrativos: um salário nominal por ano trabalhado, com garantia de indenização mínima de R$ 130 mil.

De acordo com a Ford, também faz parte do acordo a concessão de seis meses de plano médico por meio do Sindicato e uma remuneração adicional para empregados operacionais com restrição médica ocupacional.

Além dos itens previstos no acordo, a Ford informou que já oferece um programa de qualificação dos trabalhadores e também vai dar suporte para recolocação por meio da contratação de uma empresa especializada.

Em 11 de janeiro deste ano, a Ford anunciou que encerrará a produção de veículos em suas fábricas no Brasil. Em comunicado divulgado para a imprensa, na época do anúncio, a fabricante disse que a decisão foi tomada "à medida em que a pandemia de Covid-19 amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas".

Em carta a concessionários obtida pela Globo, a montadora afirmou que "desde a crise econômica em 2013, a Ford América do Sul acumulou perdas significativas" e que a matriz, nos Estados Unidos, tem auxiliado nas necessidades de caixa, "o que não é mais sustentável".

A montadora citou ainda a recente desvalorização das moedas na região, que "aumentou os custos industriais além de níveis recuperáveis", e mencionou a pandemia e a ociosidade nas linhas de produção, "com redução nas vendas de veículos na América do Sul, especialmente no Brasil".

Com o fechamento, a cidade de Camaçari, que abriga o maior Polo Industrial da Bahia, pode ter perda de 10% na arrecadação de receitas.


Informações G1

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