Secretário critica regras estaduais para envio de vacinas; Feira tem taxa de vacinação em 95%

Para Marcelo Brito, impedir a vinda da vacina não deveria ser uma opção, já que o fato pode agravar as taxas de contaminação e atrapalhar a vacinação.

Foto: Divulgação

Desde que iniciada a vacinação, em janeiro deste ano, Feira de Santana teve atraso no recebimento de doses da vacina contra a Covid-19 disponível no município, por duas vezes.

Em ambas as ocasiões, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que a cidade não havia atingido a taxa mínima de 85% de vacinação com as doses já disponíveis para que fosse liberado o recebimento do novo lote.

Diante da restrição. a Prefeitura Municipal contestou o caso, alegando falha de sistema, entrou na Justiça para garantir o envio das doses e conseguiu decisão favorável ao caso.

Ao Bom Dia Feira, nesta quarta-feira (07), o secretário Municipal de Saúde, Marcelo Brito, afirmou que, atualmente, Feira está com um índice de vacinação de 95,1%, mas, para ele, não deveria existir um teto para a entrega de vacinas aos municípios baianos.

'Nem a secretaria estadual de Saúde, nem o Ministério, nem a própria comissão, tem a competência para fiscalizar qualquer secretária de Saúde, não faz parte da linha de atuação. A função legal da Sesab é apoiar os municípios que não estão conseguindo vacinar, se eu tenho o município com baixo nível de vacinação, vamos chegar próximo e saber qual o apoio que ele precisa para ampliar essa vacinação e não deixar a população desassistida para adquirir a vacina e espalhar para mais municípios', diz.

Na ocasião, o secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, relatou que os critérios para envio de vacina não dependem do Estado, e sim de um colegiado de secretários municipais de todos as cidades da Bahia, que, em reunião conjunta, decidiram pelo nível mínimo para entrega das doses. 

'A regra era não distribuir a vacina para quem não tivesse aplicado 75% e isso vinha sendo executado, só que a média de aplicação na Bahia era de 75%, ou seja, 1/4 das vacinas estavam ficando paradas e em reunião dos secretários dos municípios estabeleceu aumentar esse nível para 85%, decidimos que a melhor alternativa era pressionar os municípios para acelerar a vacinação', explicou.

Para Marcelo Brito, impedir a vinda da vacina não deveria ser uma opção, já que o fato pode agravar as taxas de contaminação e atrapalhar a vacinação.

'Se alguém considera que a vacinação está sendo mal conduzida pelo município, Ministério Público é o caminho, faz uma denúncia e ele tem competência para apurar, processar, responsabilizar por má atuações ou má formas de vacinação. Feira está fazendo o seu papel de forma tranquila e ordeira, não estão sendo encontradas filas, outros municípios tem enfrentado essa dificuldade e eu me coloco a disposição para ajudar. O sistema pode ter falhas, pode ter uma atualização não frequente, eu não posso olhar apenas a informática, preciso olhar as pessoas, o ideal é ter um número fantástico e manter vacinando, apesar de admitir que preciso ter os dois, a prioridade é vacinar', relata.

As críticas, pontua o secretário, não são entendidas como um posicionamento político.

'O secretário é meu amigo de infância, temos uma relação fora do institucional, não vejo as críticas pelo lado político, entendo e respeito as dificuldades, se ele alerta que estamos atuando mal, vou apurar se estamos e pensar o que podemos fazer para melhorar e se não confirmar, digo que não encontramos nenhum problema', afirma. 

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