CORRRUPÇÃO​

Foto: Divulgação

​Nos últimos cinco anos, os brasileiros vêm se estarrecendo com denúncias de corrupção envolvendo empresários, políticos, advogados e servidores públicos.

​Refiro-me ao último lustro em razão de denúncias e de processos anteriores, como os constantes das Operações Satiagharra, Banestado e Castelo de Areia terem se arrastado por muitos anos e concluídos sem aplicar penalidades, sendo que a última ainda repercute com grave acusação a ministro do STJ, que teria recebido vultosa recompensa para arquivá-lo.

​Tais operações de desvio de verbas pública e locupletamento dos diversos agentes da sociedade, sejam políticos, advogados, empresários e servidores explicam a causa de, sendo o país tão rico, o povo brasileiro ainda vive em sua maioria na pobreza, faltando dinheiro para ser aplicado na saúde, na educação, no saneamento e no impulso econômico estatal.

​O conluio infernal formado por aqueles que constituem o núcleo central do poder e as outras instâncias estatais abalam os alicerces da nação. Lembro-me que, quando menino, ouvia muito a frase do naturalista francês Auguste de Saint Hilaire, que muito se impressionou há 200 anos, quando visitou o Brasil e viu as formigas destruindo arbustos, pastos e gramas. Disse o biólogo: 'Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil'.

​Mario de Andrade, décadas depois (em Macunaíma) entendia um pouco diferente: ‘Pouca saúde e muita saúva são os males do Brasil'. Evoluímos um pouco. Contra a saúva não foi difícil encontrarmos inseticidas, na saúde, arranjamos um SUS. Ainda bem...

​Restou-nos o jeitinho brasileiro, os corruptores e os maus políticos que afrontam a frouxa legislação que nos rege, formando uma elite insensível pessimamente representada em nossos parlamentos.

​E aí entra aquela contradição, se essa classe política foi escolhida pelo povo para fazer boas leis, a quem cabe a culpa? Diria alguns, o povo tem o governo que merece. Essa é apenas uma meia verdade.

​Se a maioria do povo escolhe maus políticos, não seria ele os maiores responsáveis pela ignorância generalizada, por não terem disponibilizado verbas suficientes para a educação? Um círculo vicioso.

​É verdade que os orçamentos preveem recursos para serem transferidos pela União para os municípios aplicarem em educação, mas além de serem insuficientes ainda sofrem desvios de toda ordem em unidades da federação.

​O Brasil não é uma ilha de corrupção. Ela está entranhada nas áreas de poder, em todos os países do mundo, exceção talvez dos países nórdicos (Finlândia, Noruega, Suécia, Islândia e regiões autônomas) e Suíça. E é profunda tanto no sistema capitalista como comunista.
​Ocorre que em outros países, as punições são severíssimas (até com pena de morte), desencorajando as pessoas de praticarem-na.

​No Brasil, tivemos avanços no combate aos malfeitos praticados contra o povo. A chamada colaboração premiada contribuiu para a quantidade e a profundidade das investigações promovidos pela Operação Lava-Jato, embora tenha ela se deixado contaminar pelo facciosismo político e pela afronta a legislação em certos procedimentos.

​O Ministério Público Federal somente no último ano promoveu quase 200 investigações, conseguido a condenação de autoridades e a recuperação de muitos bilhões de reais para os cofres públicos.

​Necessário, assim, que a luta continue para banir esse terrível mal das entranhas do poder, a fim de diminuí-la para o patamar mais baixo possível, e darmos um refrigério a um povo mal tratado, esquecido e enganado.

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