PANDEMIA E VACINAÇÃO

Foto: Divulgação

        No início da pandemia alguns governantes, notadamente Trump, Bolsonaro e Norlen (Suécia), preocupados com os efeitos que o isolamento da população poderia causar na economia de seus países, adotaram posições prudenciais minimizando as consequências da Covid-19. Não acreditaram nos estragos que o vírus pudesse causar, e entre poucas mortes e a retração econômica foi lícito suporem que o mal jamais alcançaria a perda de milhões de vidas humanas.

Mas, varrendo a face do planeta, o corona vírus com propagação rápida e sequelas fatais ou permanentes não tem poupado ricos e pobres (em especial estes), profissionais de saúde, idosos e jovens, brancos, pretos, vermelhos ou amarelos.

A ciência saiu em busca de vacina capaz de reduzir ou eliminar a terrível praga, pior que todas as outras que já se abateram sobre a humanidade, fossem vírus, bactérias, fungos, parasitas, etc.

Empresas da China, Rússia, Índia, da Inglaterra e dos Estados Unidos lideraram a corrida por um antídoto que, além de atender às expectativas gerais de imunidade, pudesse gerar lucros fabulosos. São mais de 200 imunizantes ora testados em todo o mundo.

Com a pandemia, países tiveram suas economias abaladas. Alguns mais, outros menos. As mais sólidas não resistiram. Muitas estão com dificuldades para sair da debacle, como a Inglaterra, a Itália, a Espanha e até os Estados Unidos. A China foi a primeira a “dar a volta por cima”. Governantes mais prudentes (Nova Zelândia, Coreias, Filipinas) conseguiram frágil equilíbrio apostando em isolamento rigoroso.

O Brasil, adotando a extrema cautela de salvar sua economia e apostando em danos menores passou, com estados e municípios a decretar isolamentos parciais e periódicos, tentando salvar suas atividades produtivas, base de sustentação da nação.
Mas, o presidente Bolsonaro disse esta semana que o Brasil está quebrado e nada pode fazer. Há uma tomada de posição, ainda cautelosa, na fala do Presidente. O setor público tem sido atingido duramente pelos gastos com atendimento mínimo aos pobres e desempregados, e despesas para minimizar outros efeitos da pandemia. Foram gastos mais de 500 bilhões. 
Urge, entretanto, que seja reiniciado o processo de crescimento.
A Argentina taxou as grandes fortunas. O Brasil pode fazer o mesmo,  impondo também um tributo maior sobre as heranças (que aqui é ínfimo) além de diminuir as benesses do sistema bancário; deve deixar de perdoar dívidas tributárias de grandes empresas, como tem feito; tributar transações financeiras digitais; pode instituir empréstimos compulsórios sobre os altos salários do funcionalismo federal; suspender ou eliminar as indenizações sobre férias daqueles que foram dispensados de seu trabalho nas repartições e que tiveram ou têm recesso na pandemia, como juízes, promotores, procuradores, etc.), pode, emergencialmente, suspender aumentos de subsídios de qualquer agente político, etc., etc. 

Talvez a pandemia houvesse chegado para uma tomada corajosa de providências ou a introdução de profundas reformas em nossa sociedade, a fim de diminuir as nossas injustificáveis desigualdades.... Falta, entretanto, vontade e comprometimento político ao Congresso e a Paulo Guedes que, sequer privatizou certas estatais.
As elites financeiras têm de ser mais comprometidas com a maioria de nosso povo, pois é aqui onde está a versão mais cruel do sistema capitalista – que é, sem dúvida, mais condizente com a ambiciosa e inquieta natureza humana, mas que pode ser bastante amenizado na sua rapinagem. 

O agronegócio felizmente tem proporcionado certo equilíbrio na balança comercial brasileira, surgindo os países asiáticos como sustentáculo de nossa economia, com volumosas compras de soja, minério de ferro, carnes, etc. A salvação do Brasil tem vindo, pois, do Leste, e de nosso campo!

Com a perspectiva de vencer aos poucos a fase crucial da pandemia, as opiniões ao redor do mundo se dividem sobre a prioridade na aplicação das vacinas que estão chegando. Algumas exigem duas aplicações; outras, uma única. Há, também, diferentes marcos temporais para uma resposta à inoculação; mas, a concorrência mundial na aquisição do imunizante é gigantesca.

Os governantes estabeleceram uma ordem quase idêntica de prioridade na aplicação do insumo. O Brasil, nessa esteira, resolveu privilegiar os profissionais da área de saúde, depois os idosos a partir de 75 anos, os maiores de 60, indígenas, pessoas que possuem comorbidades, professores, forças de segurança, presos e, por fim, as outras pessoas.

Estamos, entretanto, com a exceção, a Indonésia. A ordem de prioridade na vacinação de seu povo é única no mundo: primeiro, as pessoas de 18 a 59 anos que têm mais mobilidade e são as que mais transmitem o vírus sendo ou não assintomáticas, e as que contribuem, de fato, para a manutenção e o crescimento da economia (os idosos pouco saem de casa); em seguida serão vacinados os profissionais de saúde, idosos e a seguir as demais pessoas. 

Acreditamos que quando aquele grupo estiver vacinado o povo estará protegido, pois a imunidade somente será alcançada quando atingir de 60 a 72% da população - a chamada imunidade do rebanho.

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