SERÁ QUE SABE JOGAR WAR?

Foto: Divulgação

Nos últimos seis meses o Brasil tem sido manchete de jornais no mundo inteiro. Não pelas boas coisas que são muitas, mas esquecidas ou deixadas de lado porque ás más se sobressaem, numa torrente de esquisitices que não chega ao fim. O atual governo federal não nos deixa de surpreender, mas infelizmente, de forma sempre ruim, quando não vergonhosa.

 

Sinceramente esperava que com a liturgia do cargo e a exposição constante nas mídias, o atual presidente de república tivesse um comportamento mais condizente em razão daquilo que representa. Discursos de campanha deveriam ficar de lado, afinal já estava legitimamente eleito e administrar um país com problemas do tamanho de um bonde exige não só equilíbrio, como bom senso e traquejo intelectual. Quando falo intelectual não me refiro ao acumulo de conhecimento, que afinal é importante e diria fundamental, mas de perspicácia intuitiva na condução dos negócios públicos e se portar como chefe de uma nação e não estender seu comitê eleitoral para os salões do Planalto.

 

Dito isto, fomos surpreendidos com a declaração do presidente da república de indicar seu filho, o 03, para ocupar o reluzente cargo de embaixador do Brasil em Washington. Na burocracia do Itamaraty, é considerado o segundo posto mais importante da chancelaria brasileira, perdendo apenas para de Ministro das Relações Exteriores. Talvez rivalizasse com o posto na ONU em Nova York. Existe no jargão diplomático brasileiro o chamado “Circuito Elizabete Arden” que é o nome de um perfume feminino que tem no seu frasco os nomes de cidades importantes e estratégicas e cobiçadas para serem ocupadas com o que há de melhor dos quadros diplomáticos. Estas cidades são: Londres, Roma, Paris, Tóquio e finalmente Washington. Somente comprovada qualificação e anos de serviço prestados, que são nomeados os embaixadores para tais cidades. Enfim, somente os melhores.

 

O processo de escolha para ocupar embaixadas tão importantes como estas, são de livre arbítrio do presidente da república. Obedecendo é claro os ditames constitucionais. Sua indicação é publicada no Diário Oficial da União, depois em sabatina na comissão de relações Exteriores do Senado e aprovado, o nome do indicado é encaminhado ao plenário desta casa e em votação secreta, após maioria, o indicado é empossado no cargo.

 

O problema não está na escolha, mas no escolhido. O cargo encontra-se atualmente vago a exato três meses, e pelos critérios legais somente pessoas com mais de 35 anos pode assumir. O presidente da república esperou espertamente o seu pimpolho completar a idade necessária para anunciar sua indicação. Como disse o problema não está na escolha, mas a quem pretende ocupar a vaga.

 

O presidente da república disse que seu filho, vejam só, fala inglês e espanhol e que já fez intercambio nos EUA. Um diplomata da ONU em Genebra disse que hoje em dia é comum crianças falarem estes idiomas. Ao realçar que esta característica bilíngue do escolhido, fica parecendo que é um diferencial, quando na verdade é obrigação. Ninguém deveria se preocupar em afirmar que um diplomata domine estes dois idiomas. Na seleção para estudar no Instituto Rio Branco que qualifica nossos diplomatas uma terceira língua é exigida. Mas vamos as outras qualificações do escolhido.

 

Disse o seu pai, ops, desculpe, o presidente da república que seu filho é amigo dos filhos de Donald Trump. Na atual circunstância não acho que seja uma boa coisa ter certas amizades. Mas sejamos sinceros. O que traria de bom do ponto de vista diplomático ter laços de amizade com os filhos do presidente dos EUA. Na América tem oposição e se chama partido democrata. Vai fechar as portas da embaixada para eles? E se o Trump perder a reeleição? Como fica a diplomacia brasileira? Quem pensa com estes parâmetros, sinto dizer, é tão estreito intelectualmente o como o estreito de Ormuz. O que é Ormuz, perguntem ao escolhido.

 

Outro aspecto apresentado pelo candidato como diferencial para a sua escolha, foi dizer, em tom sério, que já fritou hambúrguer no estado do Maine e no Colorado nos EUA, num intercambio. Muito interessante esta particularidade. Esta habilidade com certeza ajudará em muito quando for embaixador. Isto lhe dá muito aprouche nas negociações bilaterais com o governo americano. Ela poderá, por exemplo, fazer nos jardim da residência diplomática aqueles churrascos típicos de nossos irmãos do norte, com aquela churrasqueira redonda, usando a camisa da seleção brasileira de futebol e servindo uma legitima pinga nacional, afinal, temos que incrementar o comércio de cachaça com a América.

 

Senti falta no seu extenso curriculum afirmar que jogava War e, portanto, onde sua visão abrangente das relações internacionais, seria mais consistente. Mas ele não disse que jogava tão auspicioso jogo. Vai ver que perdia para seus amigos. Quem sabe na embaixada ele não resolva chamar seus amigos da família Trump para jogar.

Compartilhe

Deixe seu comentário