Tenente da Ronda Maria da Penha fala sobre atuação contra violência doméstica

Joaquim Neto

A nossa reportagem conversa com a tenente da PM Edilene dos Anjos, comandante da Ronda Maria da Penha no mês das mulheres que comenta sobre índices: "Não posso dizer se os casos de violência aumentaram, mas tenho certeza de que estão tendo mais visibilidade".

Ela pontua que antigamente a mulher era morta ou violentada sem saber que sofria violência doméstica, mas as ações estão promovendo a informação. "Hoje com essas campanhas, com essa rede de proteção, com essas palestras e educação que a gente está dando nas escolas e empresas, para sociedade em geral, estamos clareando o que é violência doméstica e quem sofre já vai se percebendo, se incluindo e percebendo que está sofrendo e aí está denunciando", pontuou.

A tenente exemplificou com os dados: entre janeiro e fevereiro de 2018, foram notificadas 8 medidas preventivas, já neste ano, no mesmo período, foram recebidas 127 notificações. "Vai dizer que a violência aumentou? Não. A violência está tendo mais visibilidade e a mulher está tendo mais coragem de denunciar, está confiando mais nessa rede de proteção que por isso mesmo tem que se fortalecer a cada dia", considera.

A Ronda Maria da Penha não é uma polícia reativa, portanto não pode falar em solicitação de demanda. "A gente recebe as medidas protetivas oriundas da Justiça pela Paz em Casa - a mulher deu queixa na Delegacia, a medida protetiva foi deferida, o juiz manda para gente. A Ronda Maria da Penha fiscaliza o cumprimento dessa medida protetiva por parte do agressor. A mulher não fala diretamente com a gente, a gente recebe uma ordem da justiça para serem fiscalizadas", explicou.

Atualmente 202 mulheres são acompanhadas pela Ronda Maria da Penha. "Mas esse número sempre vai estar variando pois existem mulheres que a partir do momento que recebe a medida, percebe que o homem mudou de comportamento e afirma que não precisa mais da visita da Ronda. A demanda a cada dia aumenta, mas o número varia. Tem mês que acompanhamos 100 outros 200. A violência sempre aconteceu, está acontecendo e a contenção só mesmo com essa luta, dando conhecimento a mulher para ela conseguir se libertar do ciclo de violência que a gente vai conseguir que, pelo menos diminua", relata.

Segundo a PM Edilene, a partir do momento que recebem a medida preventiva e o agressor é notificado, o acompanhamento começa com fiscalização e dependendo do grau de risco que a mulher esteja correndo. "Existem homens que não dão trabalho porque as vezes ele só percebe que está cometendo essa violência quando a mulher decide denunciar. Mas ele acha que é natural, que é normal, porque ele é oriundo de um mundo machista, que acha que pode fazer aquilo porque ele é o dono da mulher. A partir do momento que ele recebe essa medida protetiva, ele se afasta, muda de comportamento. Muitos agem com maldade e ficam contando o prazo da medida protetiva para depois perturbar a mulher, mas quando a mulher já tem medida protetiva e solicita a gente pela eminência de ser agredida, a gente passa a intensificar as visitas", conta.

As visitas podem ser constantes quando há risco de morte ou alternarem entre uma semana, quinze dias ou mensais a depender da tranquilidade da situação. "Já é de grande importância porque quando esse homem percebe que a polícia está indo na casa dele, as vezes até por vergonha, ele não se aproxima. Tem muitos que descumprem medida protetiva, mas se conseguirmos alcança-lo ele é preso em flagrante", relatou.

A Ronda Maria da Penha atua desde setembro de 2016 com 15 profissionais de segurança e funciona de segunda a sábado na base do George Américo. A Ronda Maria da Penha está presente em nove cidade da Bahia, incluindo Feira de Santana.

Informações de Joaquim Neto

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