Estudantes feirenses participam do maior festival de robótica educacional do país

Maior delegação da Bahia a participar de um evento do gênero reúne 29 estudantes de escolas de Salvador e do interior que irão participar de desafios de robôs em três modalidades

Foto: Jefferson Peixoto/Coperphoto/Sistema FIEB

O dia 14 de março vai marcar a vida de 29 estudantes baianos. Eles embarcam para o Rio de Janeiro para representar a Bahia em um festival de ciência e tecnologia que tem a robótica educacional como grande estrela. Trata-se da maior delegação do Serviço Social da Indústria (SESI) da Bahia a participar de uma competição nacional do gênero.Os estudantes vão encarar três desafios: o Torneio SESI de Robótica FIRST Lego League (FLL), o Torneio SESI de Robótica FIRST Tech Challenge (desafio tecnológico) e o Torneio SESI F1 in Schools (F1 nas Escolas).

São esperados 1.200 alunos de escolas públicas e particulares que estarão exercitando o aprendizado em Ciências, Matemática, Física e outras disciplinas ligadas à tecnologia. O palco do Festival SESI de Robótica no Rio de Janeiro será o Pier Mauá, na capital fluminense. Durante três dias de competições, entre 15 e 17 de março, os alunos de quatro escolas do SESI Bahia vão poder trocar conhecimentos e entrar em contato com experiências desafiadoras e inovadoras.

“Temos uma grande expectativa em relação a este evento, que marca uma nova etapa do processo de ensino de robótica nas nossas escolas. Além da modalidade FIRST Lego League, com a qual já trabalhamos há oito anos, estamos investindo em duas novas categorias que são mais desafiadoras e envolvem estudantes mais experientes na prática de robótica”, explica a gerente de Educação do SESI Bahia, Cléssia Lobo.

EMPREENDEDORISMO

Nas duas novas categorias em que o SESI está ingressando – Fórmula 1 In Schools e a First Tech Challenge –, o diferencial é o estímulo ao empreendedorismo, que envolve desafios mais complexos na estruturação da equipe e na construção de estratégias para as competições. Além disso, a modalidade permite a participação de jovens de até 19 anos.

Líder da equipe Sevenspeed, que vai participar do F1 In Schools, Beatriz Mota conta que a experiência está sendo enriquecedora. “Estar na F1 In Schools está me trazendo uma responsabilidade a mais, uma visão empreendedora que eu precisava, já que estou terminando o ensino médio. Além disso, também fortalece todos os laços que eu já tinha com a robótica”, conta a estudante, aluna do 3º ano da Escola SESI Reitor Miguel Calmon, de Salvador.

Quem comemora a oportunidade de participar da FIRST Tech Challenge é Yasmim Thasla, que tem uma história na robótica marcada pela quebra de paradigmas. Ela foi a primeira garota a participar das disputas de mesa em uma competição regional do Torneio SESI FLL na Bahia e se despede das competições numa categoria que traz para ela novos desafios e uma maior capacidade técnica. A participação no festival também tem um gostinho especial para a estudante. Cursando o quarto ano na modalidade ensino médio articulado com educação profissional (EBEP) do SESI e SENAI,este será o último festival para Yasmim, que já começa a trilhar caminhos mais ambiciosos rumo à engenharia da computação.

“Estou muito animada por representar o SESI Bahia no Rio. Já participei de outras competições nacionais quando minha equipe foi para o FLL Nacional, em 2017, e minha expectativa é reencontrar pessoas que conheci na ocasião. A robótica me proporcionou conhecer pessoas que foram importantes para direcionar minhas escolhas profissionais. É claro que queremos conquistar uma vaga para a etapa internacional, mas o clima do campeonato é muito legal e a gente tem a oportunidade de aprender muito com os outros participantes”, detalha Yasmim.

Além das escolas Djalma Pessoa e Reitor Miguel Calmon, a delegação do SESI Bahia é também integrada por alunos das escolas de Candeias e João Ubaldo Ribeiro, de Luís Eduardo Magalhães. São adolescentes de 12 a 19 anos do ensino fundamental e médio que vão levar para o Rio o sonho de se classificar para a etapa internacional dos desafios de robótica.

EQUIPES

As equipes que vão representar a Bahia respondem pelos nomes de Midas, Robolife, Sevenspeed e Hydra. A Midas e a Robolife representam a Bahia no FLL e envolvem estudantes de 12 a 16 anos. A Sevenspeed e a Hydra são integradas por estudantes de ensino médio de até 19 anos e que cursam o EBEP, o ensino médio do SESI articulado com educação profissional, das escolas Djalma Pessoa e Reitor Miguel Calmon, ambas de Salvador.

Há dois anos praticando robótica na escola, João Victor Nascimento Crispim, de 12 anos e aluno do oitavo ano, está cheio de expectativas em relação ao evento. “Minha expectativa é chegar lá e dar o melhor”, declara. Membro da Robolife, João acredita que sua equipe está com todas as habilidades técnicas para fazer bonito no Rio. “Nossa equipe se esforçou muito e temos grande expectativa e também estamos com muita ansiedade”, confessa. Apesar da pouca idade e de saber que vai ter pela frente concorrentes mais experientes, João não se intimida: “Sabemos que vamos encontrar outras equipes muito boas, mas vamos dar o nosso melhor e é isso que importa”, destaca. João faz parte da turma que cuida da programação.

ASevenSpeed vai representar a Bahia na categoria F1 In Schools. Além de construir um protótipo de carro de fórmula 1, os estudantes precisam criar uma escuderia e exercitar o empreendedorismo. O grande prêmio para a equipe vencedora do desafio do Rio é participar da final do Grande Prêmio de Fórmula 1, em Abu Dhabi, com direito a conhecer as verdadeiras escuderias e a competir com os melhores do mundo.

Já a Hidra, que está inscrita no First Tech Challenge, terá que superar desafios de programação e construção de robôs e cumprir uma missão na arena, competindo com outras equipes.

DESENVOLVER POTENCIALIDADES

O Serviço Social da Indústria da Bahia (SESI Bahia) é uma das instituições pioneiras a adotar a robótica educacional em sala de aula e a realizar competições interescolares com a participação de equipes da Bahia e de outros estados. Na Bahia, o SESI é responsável pela organização, anualmente, dos dois principais torneios de robótica realizados no estado: o Torneio SESI First Lego League e a Olimpíada Brasileira de Robótica – etapa estadual.

A gerente de Educação do SESI Bahia, Cléssia Lobo, destaca as razões que levaram a Rede SESI a adotar a robótica em sala de aula. “Precisamos estimular os jovens a serem protagonistas na construção do seu conhecimento e a robótica oferece ao estudante a oportunidade de desenvolver tanto habilidades relacionadas aos conteúdos do currículo como habilidades socioemocionais – trabalho em equipe, empatia, cooperação – e de empreendedorismo, que são fundamentais hoje e no futuro”.

A rede SESI reúne mais de 7.000 alunos, distribuídos por quatro escolas em Salvador e Região Metropolitana e outras cinco escolas de ensino médio em Feira de Santana, Ilhéus, Vitória da Conquista, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães. A adoção da robótica é apenas um dos diferenciais do currículo pedagógico que também inclui a iniciação científica como disciplina escolar.

O investimento do SESI em robótica faz parte de uma estratégia educacional que visa preparar o jovem para futuros desafios profissionais, desenvolvendo neles o protagonismo, a criatividade e a capacidade de encontrar soluções para problemas do cotidiano, ressalta o superintendente do SESI, Armando Neto.

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