Imunidade à dengue pode proteger contra zika

Estudo do Instituto de Saúde Coletiva é o primeiro do mundo a provar relação

No auge da epidemia do zika vírus, em 2015, moradores de Pau da Lima viram a maioria dos seus vizinhos ser infectada pela doença. Só no bairro, a taxa de infecção chegou a 73%. O que eles não imaginavam é que, quatro anos mais tarde, as descobertas sobre como a doença se manifestou ali se tornariam referência para o combate à zika no Brasil e no mundo. 

Em meio ao aumento do número de casos de dengue no estado – que, esta semana, chegou, inclusive, à confirmação de um surto em Feira de Santana –, os baianos podem ter uma boa notícia: pessoas que tiveram dengue e que adquiriram imunidade têm menor risco de transmissão do zika vírus. 

Essa é a conclusão de um estudo divulgado nesta sexta-feira (8), na revista Science, uma das mais prestigiadas publicações acadêmicas. A pesquisa foi realizada pelo Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (Ufba); pelo Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia), através do Laboratório de Patologia e Biologia Molecular, e por parceiros internacionais como a Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale, em New Haven, nos Estados Unidos, com o pesquisador Albert Ko. 

É a primeira vez que um estudo investiga a relação entre as doenças a partir da realidade de uma comunidade. Os pesquisadores acompanharam 1.453 moradores do bairro de Pau da Lima, em Salvador, entre março e outubro de 2015. Dessa amostra, o percentual de pessoas que contraiu o vírus da zika no período de surto da doença chegou a 73% do total. 

Desse total, o estudo revelou que apenas um terço dessas pessoas manifestou sintomas – e eles foram leves. Não houve nem mesmo febre associada ao vírus zika, de acordo com o coordenador da pesquisa na Bahia, Federico Costa, professor do ISC. 

“Nós fizemos algumas perguntas que diziam que alguns fatores poderiam favorecer ou desfavorecer a infecção do zika vírus. Observamos que as pessoas que tinham tido infecção por dengue, ou, mais especificamente, tinham anticorpos contra dengue, estavam mais protegidas. Esse foi nosso primeiro achado”, diz o professor Federico. 

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