CUIDADO COM AS QUADRILHAS

Como a fogueira junina, a corrida presidenciável está pegando fogo. Por isso a festa virou assunto fora de época.

Foto por Luana Alves, minha mãe.

Quando eu era criança, costumava dançar numas quadrilhas do colégio, na véspera junina. O que não significa que eu saiba dançar, nem que eu gostasse: mas dançava mesmo assim. Como um bom nordestino, tenho uma paixão pelo São João, e participava desses eventos. E minha mãe achava fofo. Era um agrado.

Embora tenham transformado o São João numa mistura de carnaval com blusas xadrez, e quase uma Festa do Peão de Barretos, a cultura ainda prevalece. A fogueira queimando na porta de casa, as crianças correndo, o tio gritando: “se você se queimar, eu não te levo pro hospital”, sem contar, claro, os bolos, cuscuzes, licores e amendoins.

Como a fogueira junina, a corrida presidenciável está pegando fogo. Por isso a festa virou assunto fora de época – como tá parecendo um carnaval, pode considerar isso uma micareta.

Se você, leitor, pudesse me perguntar: o que diabos eu quero falando sobre São João. Eu responderia: quero falar sobre Fake News. O que é um assunto que não se pode vacilar, um passo errado, você cai na dança, e a gente perde o par de votos do primeiro e segundo turno.

Falando em passo, lembro um típico que vejo se repetindo até hoje, e espero que veja por muito tempo. O passo é simples, o cantor diz uma mentira, e a gente, que está dançando, acredita. Geralmente falam da chuva, ou da cobra. Não caiam nessa. Em seguida, o cantor se solidariza – arrepende, digamos assim – vê que todo mundo foi na brincadeirinha dele, e tem a famosa virada na história: “É MENTIRA”.

Não é segredo pra ninguém, e essa mentirinha a gente nem liga de cair. A fonte é segura, confiável. Já estávamos em paz com nosso par, e o cantor foi um bom ajudante, não ia mentir pra gente, né? É MENTIRA. Ele mente, sim. E a gente acredita.

Acreditar no cantor numa festa de São João é tranquilo. Principalmente se você for uma criança na época da escola, dançando quadrilha – sem saber ou sem querer. O problema é levar para o mundo fora do dia 24 de Junho. Mais precisamente, entre os dias 7 a 28 de Outubro, essas datas requerem uma atenção redobrada. Não dá pra tirar a mentira da dança, e botar nas urnas. Sem esquecer que nas duas têm cobras. E só em uma é mentira.

Não acredite em qualquer candidato: pesquise sobre todos. Desconfie de todos: muitos só são santinhos nos panfletos. Não acredite em qualquer fonte. Nem em mim. Que menti desde o começo do texto, onde falei que não gostava de dançar quadrilha: eu amava.


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