DIPLOMACIA DO MORCEGO

Eu queria ser um Batman diferente, juro. Sou meio cagão, não sei se, mesmo com uma roupa de Kevlar, eu iria enfrentar os bandidos – vai que essa merda rasga? – Além do mais, o cara volta todo quebrado pra casa.

The Batman (Matt Reeves)

Quando criança, eu queria ser o Batman. Quando adolescente, eu queria ter o dinheiro do Batman. Como adulto, eu quero ter o dinheiro do Batman, sendo o Batman. O homem-morcego é cheio de utensílios interessantes, além de ter um visual condizente ao meu guarda-roupa. Como não vai acontecer, me contento usando uma blusa com a logo dele gigante.

Eu queria ser um Batman diferente, juro. Sou meio cagão, não sei se, mesmo com uma roupa de Kevlar, eu iria enfrentar os bandidos – vai que essa merda rasga? – Além do mais, o cara volta todo quebrado pra casa. Aposto que metade do dinheiro dele acaba indo para medicamentos e cirurgias. Tô fora.

Não sei como um cara tão inteligente quanto o Bruce Wayne, prefere sair se lascando toda noite por aí. Ainda mais numa cidade tão perigosa quanto Gotham. Não iria lá nem se o aeroporto de Feira, finalmente, passasse a funcionar e disponibilizassem uma passagem gratuita, numa poltrona ao lado da Anitta, que, coincidentemente, estaria na Princesa do Sertão fazendo alguma coisa – ainda mais agora, solteira.

Ia fazer minha vigilância por outros lugares, outros meios. Mesmo armado até os dentes, às vezes, o Batman se fode. Não iria me arriscar. Afinal, arma é um negocio perigoso. Pense aí, um negocio perigoso na mão de todo mundo: ia ser um “pow pow pow pow pow” em todo lugar. Eu – que seria o Batman – não quero usar, imagine uma pessoa sem meus supertreinamentos?

Uma pessoa que não conseguiria ver um assaltante vindo, porque não tem o senso de aranha – do meu amigo Peter Parker. Muito menos, superforça – como meu amigo, Superman. A arma, na mão de uma pessoa comum, pode fazê-la acreditar que ganhou poderes. Porra nenhuma. Continua tão frágil quanto antes. Não sou eu que estou dizendo isso, são pesquisas, fatos e dados. Segundo o Pew Research Center, nos Estados Unidos, os estados onde o porte arma não são liberados, os assaltos com mortes tem um número menor do que os estados onde o porte de arma é liberado.

Pessoas que defendem o porte de arma, geralmente citam o EUA como exemplo. Elas falam dos treinamentos adequados, da burocracia para ter uma arma, blá-blá-blá. Também segundo a pesquisa da Pew, pouco mais da metade toma os cursos. A parte que fica com o pouco menos da metade, não. Dá pra ver quanto o país dito como preparado, não tem preparo. E nem vou entrar no mérito de falar sobre as pessoas que podem ter acesso a essa arma, indiretamente. Melhor deixar esse assunto morrer – com o porte de arma legalizado, alguém já teria o matado.

Deixar o povo ter armas não é solução, é problema. Problema grande. Talvez, por isso eu me tornasse um herói cagão. Existem outros métodos de melhora na segurança, como investir na segurança, de fato – isso é lógico. Como parece que os políticos preferem investir em coisas mais importantes, tipo: Ferraris, mansões e iates, melhor me transformarem no Batman diplomata da porra toda. E já sabe, né? Se eu for o Batman, você poderia me chamar para ajudar. Mas chamem baixo, por favor: Anitta pode estar dormindo.


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