A FEBRE DO LITÍGIO – II

Foto: Divulgao

E para concluir a curiosa pesquisa, complementamos:

Uma dona-de-casa israelense, moradora de Haifa, exigiu o equivalente a mil reais do responsável pela previsão do tempo no Canal-2 da televisão local, porque a meteorologia prometeu sol e calor para o dia, ela acreditou e vestiu roupas leves, mas a temperatura caiu, choveu e ela contraiu resfriado.

O caso do dançarino que escorregou e quebrou a perna, no País de Gales, também é inusitado.  Ele dançava um samba com a mulher (atividade arriscada para não brasileiros) e alegou, em litígio com a Prefeitura de Swansee, que a Comuna fora negligente ao encerar demais o chão do auditório público. Ganhou a causa e levou para casa, como indenização, o equivalente a vinte mil reais.
Uma prostituta processada na França tentou defender, no tribunal de Nancy, seu desempenho profissional e um michê equivalente a 40 reais (a vida na França anda barata). Lembrou que o cliente tinha 70 anos e que o fracasso dela em levantar o moral do cidadão não ocorreu por falta de esforço. Alegou que fez uso de 'todos os meios à disposição', mas o freguês não se postou à altura do desafio e deveria, ao invés de procurar advogado contatar um médico. O processo continua.

SATÉLITE CAINDO. 

No tema de seguro, levemente tratado acima à mania do litígio jurídico, vale a pena observar a agilidade dos especialistas britânicos no setor. Afinal, Londres é sede da Lloydes (não confundir com o banco do mesmo nome), maior mercado mundial de seguros. De boings a pernas de dançarinas e seios de manequins, tudo lá é 'segurável', dependendo do preço.

Diante da notícia recente de que um satélite chinês, com uma tonelada de peso, que poderia sair da órbita e cair nas Terra, seguradores britânicos advertiram seus clientes para examinar as diversas apólices que mantêm cobertura de riscos. A precaução visava ter a certeza de que as cláusulas garantiriam indenização, caso o satélite desorientado viesse a cair no telhado do cliente. 

Considerando que os cientistas chineses apontavam toda a superfície do planeta como possível ponto de impacto – para não mencionar a probabilidade de desintegração do satélite ao reingressar na atmosfera.

No Brasil não há casos estapafúrdios de pedidos judiciais; certamente porque, antes de ingressar em Juízo, o cidadão necessariamente passa pelo crivo de um profissional, seja advogado, defensor público ou mesmo de um promotor. Afora na Justiça do Trabalho e nos juizados somente em casos excepcionais, o indivíduo pode ser autorizado a propor uma ação diretamente, e isto apenas se um juiz autorizar face a circunstâncias incontornáveis. 

A literatura judiciária tupiniquim, entretanto, registra fatos curiosos de decisões judiciais, desde as sentenças em verso (e Feira de Santana conheceu uma culta, sensível e dedicada juíza, hoje desembargadora) às decisões extravagantes, verdadeiras obras de teratologia. 
Passou, também, por Feira, embora em substituição, um juiz bem versado em direito, embora ardiloso e interesseiro que, quando desejava 'empenar' um processo para agradar uma das partes, nenhum advogado contrário seria capaz de evitar. Suas sentenças eram tão caprichadas que era dificílimo ser modificada no tribunal. 

Moro seria 'fichinha' frente àquele arvoredo.  


Compartilhe

Comentários