CANUDOS EM CORDEL - VII

Foto: Divulgação

Mulheres orando dia inteiro
Outras a fiar algodão
Homens com pedras dos montes
Ou embrenhados no sertão
Procurando casca e madeira.
Por cima da cordilheira
Tinham milho, mandioca, feijão.
 
Duas torres alvejavam
O céu límpido do sertão
Viam-se de toda parte,
Um templo de Salomão.
Sansão derrocou colunas
Aqui para pô-las em ruínas
Precisava toda nação.
 
Pajeú, João Abade, Vila Nova
Bons guardas do Conselheiro
Macambira, Zevenâncio, Vicentão
Outros heróis brasileiros;
Ezequiel, Manoel Francisco
Ciríaco, Jerônimo, Pedrão
E Serafim, os bons escopeteiros.
 
As construções aumentavam
Gente de todos Estados
Trazendo bens e dinheiro
Vindo a templos sagrados,
Do Ceará a Pernambuco
O povo ficou maluco
Vendiam as terras e gados.
 
No interior de Alagoas
O povo vendia seu gado
E abandonava moradas
Era a mesma ilusão
De esperar a redenção
Que o tempo era chegado.
 
Os padres se reuniram
De todas as freguesias
E pediram uma missão
Ao Cardeal da Bahia
Que enviou freis Caetano e João
Pra pregarem no sertão
Lá estando só três dias.
 
Porém os missionários
Queriam o povo espalhar
Conselheiro reclamou
Que o Governo ia lhe matar
Fanáticos repeliram
E os padres então fugiram
Sem a missão terminar.
 
Levaram ao Governador
Notícias do Conselheiro,
Um relatório tremendo
Que o povo era desordeiro
Mandaram outras calúnias
Porém quem mais fez ruína
Foi o tal Jesuíno boiadeiro..
 
O Conselheiro curvado
Apoiado em seu bastão
Cabelo e barba crescidos
Um tipo de centurião
Cruz no peito e um rosário
Lendo sempre o Breviário
Trajava chambre azulão
 
Passou-se noventa e cinco
Entrou no noventa e seis
Calúnias pra Salvador
Daquelas gentes infiéis
Chegavam lá sem cessar
Para depois deturparem
E deflagrarem as leis.
 
O Chefe comprou madeira
Na cidade de Juazeiro
Deu ordens para buscá-la
Nos ombros, todo madeiro
Cem homens de Belo Monte
Cortaram os horizontes
Por ordem do Conselheiro.
 
O doutor Arlindo Leoni
Era lá juiz de direito
Proibiu os penitentes
Passarem em beco estreito
Carregando grande cruz
Mas, dando viva ao Bom Jesus
Cada um disse, eu não aceito.
 
Os homens não atenderam
E levaram suas madeiras
Dias depois nova mentira
Gente chegava às carreiras
Dizendo que Juazeiro
O povo do Conselheiro
Ia pra lá fazer fogueiras.

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