CANUDOS EM CORDEL - V

Foto: Divulgação

Fez igreja em Sergipe,
Campos e Itabaianinha
E em Senhora Aparecida
Que é dos católicos rainha.
Pedia e dava esmola
Lia de São Paulo a epístola
Não se sabe donde vinha.
 
Construiu no Monte Santo
O caminho da Santa Cruz
O povo dizia na reza
“O céu nos baixou uma luz”
Quem não fizer o bem
Dom Sebastião já vem
Mandado do Bom Jesus.
 
Tinha gente acompanhando
Que era de fazer dó
Todo aquele fanatismo
Que ia levantando pó
E para o sertão seguiu
Nessa viagem construiu
A igreja de Chorrochó.
Das pessoas acompanhavam
Contavam gente às centenas
Brancas, louras e mestiças
Preta, mulata e morena
Maltrapilhas na miséria
E mesmo naquela era​
Fazia a gente ter pena.
 
Pés descalços, ombros nus,
E farrapos de algodão,
Se cobriam de azulão
Como se fosse de igreja
Andar naquela peleja
Pra alcançar a salvação.
 
Passando pelos Canudos
Um arraial no outeiro
Margem do Vazabarris
Rezaram ao padroeiro
Pediram uma construção
Para o santo da devoção
Do nome do Conselheiro.
 
Canudos tinha capela
Porém não tinha bom trato
Lá chegando sua gente
Fez um grande aparato,
Pois só havia desordeiro
Mas junto do Conselheiro
Não houve nenhum desacato.
 
Prometeu fazer a igreja
De Santo Antônio padroeiro,
Por ser santo festejado
E do nome do Conselheiro,
Foi construir em Bom Conselho
Mas lá houve desmantelo
E sua volta, foi ligeiro.
 
O doutor Arlindo Leoni
Juiz daquela comuna
Com o padre da freguesia
Lhe fizeram grave ruína
Que aquele fanatismo
Era certo imperialismo
Que a república repugna.
 
No ano noventa e três
Fizeram grande asneira
Deram viva à República
Botaram imposto em feiras
Foi insulto ao Conselheiro
E seu povo tão ordeiro
Teve de sair às carreiras.

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