CANUDOS EM CORDEL - IV

Foto: Divulgação

Os padres sempre ajudavam
Nas obras dos santuários
Não lhes pagavam dinheiro
E tinha todo operário.
Davam-lhe materiais
Só isto e nada mais
O terço, a cruz e rosário.

Fez a igreja do Sobrado
E também a de Aporá
Fez em Timbó e Esplanada
E reconstruiu outras lá
Em Inhambupe, Barracão
Mocambo, e a da Missão
Pombal e Massacará.

Denunciaram ao Rio
Ao governo Imperial,
Dom Pedro lhes respondeu
Esse homem não faz mal
Digam mudar de estilo
Ou mandem para o asilo,
Manicômio ou hospital.

Inventaram que Antônio
Tinha crime no Ceará
Matara a mãe e a esposa
E tinha fugido de lá
E para completar a história
Arranjaram uma precatória
Das falsas, lá em Quixadá.

E com falsa precatória
O juiz mandou prender
E remetido ao Ceará
Pra suas culpas responder
Foi enviado a Fortaleza
Nem mesmo a sua defesa
Ele fez, queria sofrer.

Recebeu dos guardas injúrias
Nada ele reclamou
Foi solto em Fortaleza
E para a Bahia voltou,
Nenhum crime tinha lá
Na Comarca de Quixadá
Escrito nada encontrou.

Quando chegou à Bahia
Provada a sua inocência
Todo povo via nele
Uma alma de consciência,
Dava a todos bons conselhos
Mostrava naquele espelho
Perdão, calma e paciência.

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