FEIRA QUE VIVI - V

Foto: Divulgao

Diante da forte influência católica, o protestantismo não tinha muito espaço em Feira. Estava restrito talvez ao templo da Evangélica Unida. Alguns anos depois é que se instalaram outras igrejas, principalmente batistas e as neopentencostais, inspiradas no Evangelho da prosperidade, são de implantação mais recente.

​Afluência muito boa chegou a ter um Centro Espírita, quase em frente à Usina de Algodão, próximo à esquina da Senhor dos Passos, frequentado por  católicos em busca de curas. Incorporações de 'entidades'? Traumas depositados nos recônditos do subconsciente?
​A chegada dos Capuchinhos nos anos 50, cujo convento começou a ser construído concomitantemente ao início do asfaltamento da BR 324, 'puxou' a cidade até aquele local e deu mais impulso à fidelidade católica.

​A rodovia para Salvador que era o sonho dos feirenses, teve o decidido empenho do engenheiro Vasco Filho, chefe do distrito rodoviário federal. Prestigiado nos meios sociais, residia em bela mansão da Marechal, depois morada de Dionísio Medrado (Casa das Borrachas), substituída mais tarde por prédio de um supermercado. Era vizinho de uma solteirona que recebia pensionistas do Santanópolis, leitora ávida de livros eróticos que de nós escondia (ou fingia)... Sei lá.

​O asfaltamento dos dez primeiros quilômetros Feira/Posto Shangai, em 50, foi comemorado com festas, culminando, à tarde, com corrida de bicicletas e uma bike caríssima como presente ao vencedor. A partida foi no antigo km 10 (foram franqueadas caçambas para levar os ciclistas), e a chegada nos Capuchinhos com palanque e filarmônica. Como concorrente, fui o último a chegar quase sem fôlego, sob a ovação dos expectadores dos dois lados da pista... Campeão, campeão me gozavam... Mas, cheguei, como dizia o velho Gonzagão...

-:-

​Discutia-se muito o futebol do Rio e de São Paulo. Flamenguistas, vascaínos, fluminenses, santistas, sanpaulinos. Os 'bahia', ipiranguenses e galicianos não eram muitos. Tricolores de Feira ainda engatinhavam, embora incentivados pelos Marinhos. A tradição de nomes de times de futebol do sul, infelizmente, ficou no esporte local (Fluminense, Vasco, São Paulo, etc), demonstrando certa falta de bairrismo - fato que não existiu em outros estados. Por esse motivo, o Bahia de Feira teve seu nome mudado para Feira Esporte Clube nos anos 70, e suas camisas passaram a ser das cores vermelho e amarelo, vivas, mas teve tais alterações revertidas por outro presidente, para continuar como cópia.

​A partir dos anos 30, a cidade teve bons estabelecimentos de educação. Deve-se ao governador Seabra, no final dos anos 20, a instalação do núcleo embrionário da Escola Normal. As sacramentinas, já tendo assumido a direção e orientação educacional do Asilo Nossa Senhora de Lurdes (obra do Padre Ovídio), amparavam e educavam as filhas do povo.

Compartilhe

Comentários