PF faz operação sobre financiamento do filme ‘Dark Horse’

Reginaldo JúniorDestaquesBrasil7 minutos atrás2 Pontos de vista

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, produção que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação tem como alvos a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), além de outras 20 pessoas. As informações são do g1.

Batizada de “Make Up”, a operação é realizada em conjunto pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Não há mandados de prisão na operação.

Segundo a PF, a investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. A suspeita é de que uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados tenha direcionado dinheiro repassado a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de maneira irregular.

Os investigadores também apuram se os serviços contratados foram efetivamente realizados.

Investigação está sob relatoria de Flávio Dino

O caso é relatado pelo ministro Flávio Dino, do STF. O inquérito teve origem em São Paulo, mas foi posteriormente levado para a Corte.

De acordo com as informações divulgadas pela investigação, foram identificadas movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que teriam ligação com o esquema.

A PF afirma ainda que as tentativas de ocultar os supostos desvios teriam continuado até julho de 2026.

Entre os crimes investigados estão peculato, que é um crime cometido por um funcionário público que se apropria, desvia ou utiliza de forma indevida dinheiro ou outro bem que está sob sua responsabilidade por causa do cargo. Também falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.

O dinheiro teria sido transferido para um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

Há duas investigações sobre o financiamento

O caso relacionado ao filme está dividido em duas frentes de investigação sob supervisão de ministros do STF.

O inquérito relatado por Flávio Dino concentra-se na suspeita de uso irregular de emendas parlamentares e de dinheiro público que teria chegado a entidades e empresas ligadas à produtora do filme.

Já outra investigação, sob relatoria do ministro André Mendonça, analisa os repasses feitos por Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro e tenta esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro.

A operação realizada nesta quinta-feira (10) está relacionada à primeira frente.

Delação de empresário aumenta pressão sobre investigação

Na quarta-feira (9) , André Mendonça homologou o acordo de colaboração premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”.

O empresário é dono da Entre Investimentos, empresa que, segundo as informações da investigação, realizou repasses para o filme a mando de Vorcaro.

Na delação, assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, Mineiro afirmou que realizou sete transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos.

As operações ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro daquele ano, o valor correspondia a aproximadamente R$ 62,8 milhões.

Os pagamentos foram feitos por meio de subscrições de cotas do fundo. Isso ocorre quando um fundo emite novas cotas para aumentar seu patrimônio. O investidor realiza um aporte e recebe as respectivas cotas do fundo.

Segundo o relato apresentado pelo empresário, Vorcaro teria solicitado que os valores fossem enviados ao exterior dessa maneira.

Mineiro afirmou que inicialmente recebeu uma solicitação para enviar cerca de US$ 24 milhões, que equivalem a aproximadamente R$ 132,3 milhões com a cotação de fechamento do final de 2025 (R$ 5,514 por dólar). Isso seria dividido em mais de dez operações entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. No entanto, apenas sete transações teriam sido realizadas.

O empresário também disse que não sabia qual seria o destino final dos valores enviados ao Havengate.

PF investiga destino do dinheiro

Uma das questões centrais da investigação é justamente descobrir se todo o dinheiro enviado ao fundo foi utilizado no financiamento de “Dark Horse”.

A versão apresentada por Flávio Bolsonaro e pela produtora Go Up é de que os recursos foram destinados ao filme.

Entretanto, a PF investiga se parte do dinheiro pode ter sido utilizada para outras finalidades, incluindo a possibilidade de ter financiado atividades relacionadas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Mineiro entregou às autoridades comprovantes das transferências e também e-mails trocados com o responsável pelo fundo Havengate, Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Pagamentos também são investigados nas Bahamas

A colaboração premiada também trouxe informações sobre outros pagamentos realizados no exterior a mando de Vorcaro.

Segundo o empresário, algumas dessas operações foram feitas por meio da Entre Investments and Arbitrage Ltd., empresa sediada em Nassau, nas Bahamas.

Mineiro relatou que, nesses casos, recebia de Vorcaro as chamadas invoices, ou faturas, que deveriam ser pagas. Contudo, ele não informou quem eram os beneficiários dos valores.

Uma das linhas de investigação da PF é verificar se recursos mantidos em paraísos fiscais, como as Bahamas, também foram destinados ao fundo Havengate ou a pessoas relacionadas a ele.

Produtora diz que contas do filme estão regulares

A produtora Go Up contratou uma auditoria particular para analisar as contas de “Dark Horse”.

Segundo a auditoria, divulgada em junho, as contas da produção estão regulares. No entanto, os documentos utilizados para chegar à conclusão não foram divulgados publicamente, incluindo notas fiscais relacionadas às despesas do filme.

Ainda de acordo com a auditoria, o longa teve custo de aproximadamente R$ 75 milhões e foi financiado pelo fundo Havengate.

A investigação da PF busca justamente esclarecer a origem e o caminho dos recursos utilizados na produção.

Com informações do IG

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