
A apresentação e a pactuação do Plano Safra da Agricultura Familiar Bahia 2026/2027 transformaram Feira de Santana no principal centro de debates sobre o fortalecimento da produção rural no estado. O encontro, realizado no Teatro Central da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), reuniu representantes dos governos federal e estadual, cooperativas, instituições financeiras, entidades de assistência técnica e agricultores familiares para discutir estratégias de acesso ao crédito, assistência técnica, agroindustrialização e comercialização da produção.
Durante o evento, o presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Jeandro Ribeiro, destacou que o novo Plano Safra apresenta uma nova forma de acesso ao crédito para a agricultura familiar, baseada na construção coletiva entre os órgãos de assistência técnica e os agentes financeiros.
“O crédito precisa chegar às mãos dos agricultores familiares na hora certa, da forma correta e com acompanhamento técnico. É isso que a SDR, a CAR, a Bahiater e a SAF vêm construindo e apresentando à sociedade baiana”, afirmou.
Jeandro também ressaltou a importância econômica da agricultura familiar na Bahia. Segundo ele, dos cerca de 764 mil estabelecimentos rurais existentes no estado, aproximadamente 593 mil pertencem à agricultura familiar, representando quase 80% do total.
“Quem tem dúvida da força da agricultura familiar basta visitar uma feira livre. É ela que movimenta a economia do município, impulsiona o comércio e gera renda para milhares de famílias”, destacou.
O presidente da CAR lembrou ainda que o Governo da Bahia trabalha com a meta de movimentar R$ 4,6 bilhões em crédito durante o novo Plano Safra. Além disso, anunciou o lançamento de dois novos editais voltados às agroindústrias, que somam R$ 40 milhões, complementando outros R$ 106 milhões em investimentos já em execução no estado.
Representando as cooperativas da agricultura familiar, Cristóvão Roma, de Tucano, afirmou que o principal desafio do setor continua sendo ampliar o processo de educação e gestão junto aos produtores.
“Nosso maior desafio é fazer o agricultor entender que a propriedade dele é um negócio e que ela tem potencial para gerar renda, sem que ele precise deixar sua comunidade em busca de oportunidades nas grandes cidades.”
Para ele, o crédito rural é decisivo para fortalecer as cooperativas.
“O crédito impulsiona toda a cadeia produtiva. Ele garante capital de giro, fortalece as compras da cooperativa e traz sustentabilidade para quem produz.”
Cristóvão também revelou que a Cooperlad está ampliando sua capacidade de armazenamento para atender ao crescimento da agroindustrialização de frutas e espera ampliar o número de agricultores beneficiados na próxima safra.
“Nossa Bahia tem um potencial enorme. Temos agricultores trabalhadores, dedicados e produtos de excelente qualidade. O desafio agora é alcançar cada vez mais produtores e ampliar nossa presença em novos mercados.”
Já o gerente de empresa de finaciamento, Eric Mendes, destacou que a instituição vem ampliando o financiamento voltado à agricultura familiar em parceria com a CAR desde 2021.
“Já liberamos mais de R$ 15 milhões em crédito para cooperativas e temos mais de R$ 100 milhões disponíveis para apoiar novos projetos dentro deste Plano Safra.”
Segundo Eric Mendes, além do financiamento, a empresa oferece acompanhamento técnico e orientação financeira aos produtores.
“Não é apenas liberar o recurso. Nossa equipe ajuda o agricultor a entender qual a melhor linha de crédito, como aplicar esse recurso e qual o momento mais adequado para fazer o investimento.”
Ele acrescentou que o trabalho de atendimento será realizado diretamente nas comunidades, por meio das agências e equipes especializadas da cooperativa, facilitando o acesso dos agricultores familiares ao crédito rural.
O Plano Safra da Agricultura Familiar Bahia 2026/2027 reforça a estratégia de integração entre governo, cooperativas, assistência técnica e instituições financeiras para ampliar investimentos, fortalecer a agroindustrialização e gerar mais renda no campo, consolidando a agricultura familiar como um dos principais motores da economia baiana.






