
O Dia do Homem, celebrado em 15 de julho, reforça a necessidade de discutir um tema que ainda enfrenta barreiras e preconceitos: a saúde mental masculina. Embora o assunto tenha ganhado mais espaço nos últimos anos, muitos homens ainda encontram dificuldades para reconhecer o sofrimento emocional e buscar ajuda profissional.
Em entrevista, o psicólogo clínico Erick Leal destacou que a sociedade historicamente construiu a imagem de que o homem precisa ser forte o tempo todo, o que acaba dificultando a expressão de sentimentos e a procura por apoio psicológico.
“Durante muito tempo, o homem aprendeu que demonstrar emoções era sinal de fragilidade. Isso ainda repercute nos dias atuais e faz com que muitos deixem de buscar ajuda por medo de julgamentos”, afirmou.
Segundo o especialista, houve avanços nos últimos anos, especialmente após a pandemia da Covid-19, período em que muitas pessoas passaram a dar mais atenção à própria saúde. No entanto, ele ressalta que ainda existe resistência por parte de muitos homens em procurar acompanhamento psicológico.
Para Erick Leal, buscar ajuda não é um sinal de fraqueza, mas uma demonstração de coragem e responsabilidade com a própria vida.
“Quando sentimos uma dor física, procuramos um médico. Com a saúde mental deveria ser a mesma coisa. O problema é que muitos homens só procuram ajuda quando a situação já chegou ao limite”, explicou.
O psicólogo também chama a atenção para os sinais que podem indicar a necessidade de apoio profissional. Entre eles estão o isolamento social, a perda de interesse por atividades que antes davam prazer, mudanças de comportamento, irritabilidade excessiva e dificuldades nos relacionamentos pessoais e profissionais.
“Se a pessoa deixa de frequentar a academia, de sair com os amigos ou perde o interesse por atividades que sempre gostou, isso pode ser um sinal de alerta e merece atenção”, destacou.
Além da observação individual, familiares e amigos têm papel importante na identificação desses sinais. Mudanças bruscas de comportamento, aumento do consumo de álcool ou outras substâncias e o afastamento do convívio social podem indicar que algo não está bem.
Erick Leal reforça que o diálogo e o acolhimento são fundamentais para incentivar a busca por ajuda especializada.
“O apoio das pessoas próximas faz diferença. Uma conversa em um momento adequado pode ser o primeiro passo para que esse homem perceba que não precisa enfrentar tudo sozinho”, concluiu.
A data serve como um convite à reflexão sobre a importância do autocuidado e da quebra de tabus. Afinal, cuidar da saúde mental também é uma forma de fortalecer a qualidade de vida e o bem-estar.






