Conheça a história de Tatiana Coelho de Sampaio, criadora da polilaminina

Reginaldo JúniorCapa 2026Brasil1 mês atrás51 Pontos de vista

Lesões na medula espinhal sempre foram tratadas pela medicina como praticamente irreversíveis. Quando os neurônios são rompidos, o corpo tem capacidade limitada de regeneração, o que torna a paralisia, em muitos casos, permanente. Uma pesquisa liderada por uma cientista brasileira, no entanto, pode mudar esse cenário.

A professora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolveu uma proteína experimental chamada polilaminina, capaz de estimular a reconexão de neurônios danificados. O avanço já permitiu que pacientes paraplégicos e tetraplégicos recuperassem movimentos, resultado considerado inédito em casos graves de lesão medular.

Após quase 30 anos de pesquisa, Tatiana coordenou uma equipe que criou a polilaminina a partir de proteínas extraídas da placenta humana — substâncias que desempenham papel fundamental no desenvolvimento do sistema nervoso.

Aplicada por injeção diretamente na área lesionada da medula espinhal, a molécula atua como uma espécie de “cola biológica”, criando um ambiente favorável para o crescimento dos axônios e a reconstrução dos circuitos nervosos.

O tratamento está sendo desenvolvido em parceria com o laboratório brasileiro Cristália e já teve a fase 1 dos testes clínicos aprovada pela Anvisa, etapa que avalia a segurança da substância e os primeiros sinais de eficácia.

Pacientes voltaram a se movimentar

Até o momento, ao menos 16 pacientes brasileiros conseguiram na Justiça autorização para receber a aplicação experimental. Desses, pelo menos cinco apresentaram recuperação parcial dos movimentos.

O primeiro paciente tratado foi Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, que ficou tetraplégico após um acidente em uma apresentação de motocross no Espírito Santo. Menos de 48 horas após a aplicação, ele relatou retorno da sensibilidade e conseguiu contrair músculos das coxas e da região anal.

Outro paciente, de 35 anos, que sofreu queda de moto, voltou a apresentar movimentos no pé e sensibilidade nas pernas. Já Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, diagnosticado com tetraplegia, conseguiu voltar a andar após o tratamento.

Os procedimentos foram realizados sob coordenação médica especializada, incluindo o neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes, do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro.

Reconhecimento internacional

O avanço vem sendo apontado por parte da comunidade científica como um dos mais promissores da medicina regenerativa nas últimas décadas. Embora ainda esteja em fase inicial de testes clínicos, o potencial da pesquisa já é citado como possível candidato ao Prêmio Nobel de Medicina no futuro.

Especialistas destacam, no entanto, que estudos mais amplos e fases clínicas posteriores serão fundamentais para confirmar a eficácia e segurança do tratamento em maior escala.

Com informações do TNoticias

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