OS NÚMEROS NÃO MENTEM

O advogado Argemiro Nascimento comenta a pesquisa eleitoral realizada pelo Datafolha a cerca das Eleições 2018.

Próximo às eleições é comum na imprensa a divulgação de pesquisas eleitorais e muitas delas são entremeadas com outros perguntas que são feitas aos pesquisados. Alguns números apresentados trazem algumas diretivas que merecem ser comentadas. Neste diapasão divulgou-se também os dados da violência no Brasil que são estarrecedores.

Comecemos então pelo último. Os números da violência mostra um quadro de guerra. Os índices mostram que as politicas públicas de combate a criminalidade se mostram falidos. Não escapa ninguém. As esferas federais e estaduais fracassaram imensamente. As taxas de homicídios refletem o descaso como a segurança é tratada em nosso país.

No caso específico da Bahia, a violência atingiu patamares insuportáveis. Propala-se que nunca se fez tanto para combater a criminalidade do no estado. Pura mentira. O que se vê é apenas propaganda. Salvador está entre as cidades mais violentas do mundo. Falta seriedade no trato da violência. O discurso é sempre o mesmo: milhares de viaturas distribuídas no estado, concurso público para mais policiais, e por aí vai. Nada disto resolve o problema. As desculpas são sempre as mesmas. Não se vê uma ação conjunta das diversas áreas da administração pública para diminuir o caos em que vivemos. Não há comprometimento dos setores da sociedade civil em apresentar propostas para recrudescer os indicies tão altos. Somos reféns da discurseira politica.

O Brasil matou mais de 60 mil pessoas no ano de 2016. Chegamos ao patamar de 30 mortes por grupo de 100 mil. Portugal esta taxa é de 1,1. Alemanha 0,7.A maioria destas vítimas são jovens de 15 a 25 anos, pobres, pretos e moradores das periferias das cidades. Mata-se cerca de 30 vezes o número de Portugal, 48 vezes o que se mata na Alemanha, e pasmem 151 vezes o que se mata no Japão. E Olhem que Tóquio é uma cidade de 20 milhões de habitantes. Os presídios são poucos e lotados. Muitos em condições sabe-se lá como. Os problemas são por demais conhecidos, as soluções apresentadas são por demais ruins. Os números apontam um fracasso total nas politicas publicas ligadas a segurança. Ainda tem candidato a presidência que quer distribuir arma para o povo. Na Bahia 76% das mortes são provocadas por arma de fogo. Votem nele!

O outro aspecto apontado na pesquisa de domingo feita pela Datafolha diz respeito ao clima, digamos assim meio borocoxô que o povo brasileiro vive atualmente. A enquete aponta que mais da metade dos entrevistados não estão nem aí para a Copa do Mundo. Ou seja, 53%. Isto é reflexo do clima politico que vivemos. Parte do Judiciário resolveu demonizar as práticas politicas. Passou a ver crime em todos os atos dos políticos. Querem vê que não estou exagerando. Foi divulgado semana passada um e-mail em que o candidato a presidência Fernando Henrique pedindo dinheiro para sua campanha a uma empreiteira. .A época não era crime, e o dinheiro foi dado pelas vias legais e teve gente achando que isto era um delito. Já sei que vão dizer que estas doações sempre tem um interesse escondido, ou um benefício mais tarde. Se assim pensam, é melhor pedir dinheiro para campanha eleitoral a um padre, o risco de cobrança ou busca de uma compensação é quase nulo. O interessante que somente este e-mail foi divulgado antes do presidente ser arrolado como testemunha de defesa de Lula.

A lição que tiramos disso tudo se traduz em uma única verdade: Vivemos uma seria crise de representação. Os que se apresentam como candidatos a por em ordem na bagunça que vivemos se portam como figuras messiânicas, cheios de soluções e ideias ocas. Outros que nem se apresentam como salvadores da pátria e são escolhidos como heróis do combate a corrupção são ruins em todos os sentidos. Estas coisas se interligam, daí quem sabe o desinteresse ao futebol e a Copa do Mundo.

Esta é a opinião do advogado Argemiro Nascimento.

 

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