Greve dos caminhoneiros: a cronologia dos 10 dias que pararam o Brasil

De 21/05 quando se iniciou a paralisação à 30/05 - décimo dia em que as Forças de segurança atuaram para desmobilizar manifestantes e retomar o abastecimento.

Reuters

Pouco a pouco, o Brasil começou nesta quinta-feira a se recuperar dos efeitos causados pela greve dos caminhoneiros, que dura onze dias e paralisou serviços como fornecimento de combustíveis e distribuição de alimentos e insumos médicos, levando o país à beira do colapso.

21/05 (segunda-feira, 1º dia) - Início da paralisação

A disparada no preço do óleo diesel leva os caminhoneiros a iniciarem a paralisação, interrompendo o trânsito em rodovias de ao menos 17 Estados. O aumento do combustível está associado ao aumento do dólar e do petróleo no mercado internacional, que passaram a servir de base para a política de preços da Petrobras a partir de 2016 e que, em 2017, levaram a estatal a decidir aumentar a frequência nos ajustes de um mês para "a qualquer momento, inclusive diariamente".

22/05 (terça-feira, 2º dia) - Manifestação ganha alcance maior e primeiros efeitos no mercado aparecem

A manifestação ganha corpo e já chega ao menos 24 Estados. A essa altura, os primeiros reflexos no mercado começam a surgir. Sem receber insumos que esperavam por via terrestre, grandes montadoras decidem reduzir a produção.

23/05 (quarta-feira, 3º dia) - Petrobras anuncia redução temporária no preço

No início do dia, ministros avaliavam que os efeitos da greve não eram tão profundos. No início da noite, em uma tentativa de conter o movimento, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciava a redução de 10% do preço do óleo diesel nas refinarias por 15 dias e o congelamento dos preços durante esse período. Ele - que assumiu a presidência da empresa afirmando que não haveria interferência política na definição de preços da companhia - nega que tenha havido pressões do governo. A paralisação continua.

24/05 (quinta-feira, 4º dia) - Impactos à população, intervenção militar na pauta e acordo sem unanimidade

Greve mostra força e gera impacto em abastecimento e transportes de pelo menos 15 Estados, mais o Distrito Federal. Os efeitos a essa altura incluem redução de frotas de ônibus, falta de combustíveis e disparada de preços em postos de gasolina, cancelamento de aulas em universidades, voos ameaçados por falta de combustível, prateleiras vazias em supermercados e centros de abastecimento e a interrupção da produção em fábricas. A pauta inicial dos grevistas, que estava concentrada em questões econômicas, como o custo do óleo diesel e dos fretes para a categoria, é ampliada e o discurso anticorrupção, que inclui vozes em apoio a uma "intervenção militar", ganha força.

25/05 (sexta-feira, 5º dia) - Temer aciona militares para desbloquear vias e tem aval para multar manifestantes

O presidente Michel Temer diz ter acionado "forças federais para superar os graves efeitos da paralisação", garantindo a livre circulação nas estradas e o abastecimento. Um decreto é publicado após as 21h dando poder de polícia às Forças Armadas em todo o país até o dia 4 de junho. É a primeira vez que uma operação GLO (de Garantia da Lei e da Ordem), como é chamada, terá abrangência nacional e não apenas em Estados e municípios específicos.

26/05 (sábado, 6º dia) - Governo afirma que situação 'começa a se normalizar'

Os ministros Raul Jungmann, da Segurança Pública, e Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional, afirmam, já à noite, que a situação no país "começa a se normalizar", com o reabastecimento de aeroportos e o início da desobstrução de estradas, mas ainda sem um prazo claro para todo o abastecimento voltar ao normal.

27/05 (domingo, 7º dia) - Acordo para o fim da greve é fechado. Abcam pede que caminhoneiros voltem ao trabalho, mas paralisação continua

Após reunião realizada na Casa Civil, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) decide assinar acordo com o Governo para pôr fim às paralisações dos caminhoneiros autônomos. A paralisação, no entanto, continua.

28/05 (segunda, 8º dia) - Desabastecimento atinge mais de 90% dos postos em alguns Estados

Os reflexos da greve nos postos de combustíveis são percebidos em diversos Estados. Levantamento da Fecombustíveis mostra que 90% ou mais dos postos estão sem produtos para venda ao consumidor na Bahia, no Distrito Federal e em Minas Gerais. Em outros Estados, escoltas policiais e militares, além de decisões judiciais, ajudam a garantir ao menos parcialmente o abastecimento.

29/05 (terça, 9º dia) - Greve perde força e denúncias de consumidores sobre cobranças abusivas nos postos disparam

O país ainda registra 616 pontos de concentração de motoristas nas estradas, mais do que no dia anterior, quando o número estava em 556, aponta levantamento da Polícia Rodoviária Federal fechado às 18h. Apenas em três desses pontos, no entanto, o trânsito permanecia bloqueado. Segundo a PRF, o número de protestos havia crescido, mas a quantidade de caminhões parados em cada um deles havia diminuído. A greve dava mostras de que estava perdendo força.

30/05 (quarta, 10º dia) - Forças de segurança atuam para desmobilizar manifestantes e abastecer o carro ainda é difícil

A atuação das Forças Armadas e da PRF eliminou praticamente todos os pontos de concentração de caminhoneiros nas estradas, mas a normalização ainda caminhava a passos lentos nas cidades. Nos postos de combustíveis, o abastecimento começava a voltar, mas em algumas áreas isso ainda ocorria de forma parcial, com a ajuda de escolta e por força de decisões judiciais.

  Fonte: BBC Brazil

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