TRÊS TRISTES ESTÓRIAS

Opinião do advogado Argemiro Nascimento

A semana que passou nos trouxe três fatos que demonstra o estado de indigência intelectual e politica que vive nosso país e que nas cabeças pensante deve deixar um ar de perplexidade com misto de vergonha alheia. Sendo uma delas gravíssima com sérias consequências, pois, envolve algumas famílias que aguardam respostas ao seu sofrimento.

A primeira delas foi a desistência do ex-Ministro do STF Joaquim Barbosa, de se candidatar a presidência da república pelo PSB. A nossa Inês de Castro, ou seja, aquele que foi sem nunca ter sido, como bem disse e de forma certeira o colunista Reinaldo Azevedo, - mas que prefiro chamar de Porcina, a viúva sem nunca tem sido, que se adequa mais ao caso -, deu uma entrevista no jornal Valor Econômico que trás o mais completo desconhecimento da realidade brasileira. Ao fazer a análise do quadro social do Brasil ele escorrega no sociologismo ginasial como se ele não fosse egresso deste caldeirão cultural aos quais todos nós estamos inseridos. Relata ele que temos problemas sociais, sociológicos, históricos, culturais e econômicos. Brilhante análise. O problema que todos os países do mundo têm todos estes problemas em grau maior ou menor. É como se eu dissesse que existem muitos corruptos no mundo. Enfim não disse nada.

Ninguém sabe o que pensa sobre problemas mais sérios tais como a previdência social ou a politica de juros. O seu nome foi cogitado naquilo deveria ser o essencial e não mote para disputar uma eleição presidencial: A sua integridade moral e lisura de sua vida e atos. Aliás, é inquestionável nestas qualidades, diária mais, irrepreensível. Mas só isto não o coloca na condição de fazer frente a uma candidatura, se assim fosse seu Lélis do bar da esquina onde moro tem as mesmas credenciais e poderia ser concorrente ao ambicionado cargo. A disputa eleitoral exige articulação, capacidade de fazer alianças, ceder e conceder. E o temperamento mercurial do Joaquim Barbosa não se adequa a estes requisitos. A sua atuação como presidente do STF foi catastrófica. Ainda bem que desistiu.

O segundo fato se deu na divulgação de um memorando da CIA que aponta que a ordem de execução dos presos políticos na ditadura saíram dos salões do Palácio do Planalto, com ordens expressa do então presidente Gaisel ao arrepio da lei. A imagem que o então presidente deste período de 1974 a 1979 passava era de controle dos seus subordinados fardados e assim evitar o endurecimento na perseguição dos presos políticos encarcerados nos porões da ditadura. Mas esta imagem, ainda que ambígua se desfez com o documento divulgado na semana passada. Este memorando relata uma reunião com o chefe do SNI, o futuro presidente João Batista Figueiredo e os generais Milton Tavares e Confúcio de Paula Avelino. Após refletir por alguns dias o presidente ordena que se continue a politica de extermínio dos inimigos da ditadura, mas que o faça a eliminação apenas dos mais perigosos.

Este memorando trás a tona que o Estado brasileiro agiu com meticulosidade e sob os auspicio da presidência que se eliminasse pessoas que representavam perigo a ordem pública da época. Em última análise se confirmou aquilo que havia dúvidas a respeito. O governo brasileiro atuou na captura, prisão e execução de pessoas com amplos conhecimentos das mais altas lideranças do poder executivo da época. O interessante que estas mortes eram chamadas de extralegais. Triste episódio de nossa história que não tem santo e inocente seja de que lado para que se olhe.

O último assunto é daqueles que me dá uma preguiça e um tédio sem precedente. Mas vamos lá. O MPT notificou a Rede Globo para que inclua mais artistas negros na sua nova novela das 9, bem como na grade de sua programação sob a penalidade de ser alvo de um processo, pois, se a mesma é ambientada na Bahia, por que não?. Primeiro é uma tremenda falta do que fazer. De ora para outra vem um órgão público a ser paladino da luta pela igualdade, atuando como censor das produções culturais. Este tipo de interferência nas artes de um modo geral só demonstra a indigência cultural que essa gente tem. Pelo raciocínio obtuso dos combatentes, uma novela ambientada na Amazônia deve ser recheada de índios, pouco importando o que o autor deseja retratar em sua peça, livro ou filme. Fico imaginado estes valentes tivessem lido a peça Otelo de Shakespeare, ao qual tenho certeza que nunca, e se deparasse com uma cena que descreve o personagem principal, que por sinal leva o título da obra que sofre preconceito racial por casar com Desdêmona, uma vez que era mouro de pele escura e é classificado com “traços animalescos” pelo dramaturgo. E nem por isto o bardo é chamado de racista. Aproveitem o tempo de sobra e vão lês estas obras clássicas.

 Opinião do advogado Argemiro Nascimento

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