Trabalhadores se negam a deixar seita que 'protege contra fim do mundo'

De acordo com Ministério do Trabalho, cerca de 22 pessoas foram encontradas em condições irregulares detectadas pela fiscalização.

Reprodução EPTV

Os 22 trabalhadores encontrados em condições de trabalho análogas à escravidão na Bahia durante fiscalização do Ministério do Trabalho se recusaram a deixar as três fazendas ligadas a seita religiosa que "garante proteção contra o final do mundo", segundo informou o órgão.

operação "Cana㠖 A Colheita Final" investiga desde 2011 a seita conhecida como Comunidade Evangélica Jesus, a Verdade que Marca.

De acordo com o coodernador da ação, Marcelo Campos, os trabalhadores se negaram a abandonar os locais, mesmo em condições irregulares detectadas pela fiscalização, porque são convencidos pela seita de que devem permanecer.

"Eles não tinham qualquer direito laboral. Não tinham carteira assinada, nenhum direto trabalhista. Não recebiam nada para trabalhar, apenas lugar para dormir e comida".

A maioria dos trabalhadores encontrados são de São Paulo, onde a seita religiosa recruta pessoas, para então distribuir em locais de trabalho.

"Elas se negaram a sair porque ali é uma comunidade religiosa, que garante proteção contra o final do mundo".

Foram autuadas as fazendas Nova Esperança, no município de Wanderley, no oeste da Bahia, e as fazendas Rio Verde e Juazeiro, em Ibicoara, na Chapada Diamantina. Com a autuação, o órgão determina que os direitos trabalhistas sejam cumpridos e que as empresas encaminhem as vítimas aos locais de origem.

A ação também ocorreu nos estados de Minas Gerais e São Paulo. No total, em todo país, foram encontrados 565 trabalhadores em condições análogas à escravidão.

Segundo Marcelo Campos, depois da ação, o Ministério do Trabalho fará o cálculo das verbas trabalhistas que as vítimas têm direito e vão encaminhar as informações para a Justiça do Trabalho, para substanciar ações sobre o caso que já estão em curso.

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