Em entrevista ao Bom Dia Feira, Luiz Caldas afirma fazer música pela arte: 'Isso está se perdendo'

Segundo Luiz Caldas, é natural que os artistas se influenciem com quem já tem um grande repertório.

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Conterrâneo da cidade Princesa, multi-instrumentista, arranjador, produtor, compositor e cantor brasileiro conhecido como "O Pai do Axé Music", por ter criado o gênero musical que criou um novo movimento no circuito baiano na década de 80.

Foi o inventor do ritmo que misturava o pop com reggae, toques caribenhos, ijexá, frevo e samba, presentes num ritmo que ganhou o apelido “Fricote” que evoluiu para outros tantos ritmos lançados no carnaval baiano, consolidando-se no popular estilo, atualmente denominado "axé music".

Luiz César Pereira Caldas, conhecido no carnaval baiano, tem 12 álbuns lançados e foi presença constante nos principais programas de televisão da década de 1980, como o sucesso Cassino do Chacrinha que na época era vitrine musical dos artistas. 

Em entrevista ao Bom Dia Feira, Luiz Caldas conta que este ano, o carnaval para ele está maravilhoso. “Toquei para o folião pipoca dois dias no circuito Barra-Ondina, sexta-feira e sábado e foi realmente algo maravilhoso. Depois disso sigo viagem para o Rio de Janeiro para uma apresentação e retorno para o meu projeto de discos mensais, que não posso parar. Um prazer muitíssimo grande”, afirma. 

Perguntado sobre a sua opinião sobre o nosso carnaval baiano, Luiz Caldas explica que ainda não se têm nada estabelecido. “Tudo está em transformação. Uma coisa que eu gosto é o enfraquecimento dos blocos, que, de certa forma, o folião pipoca estava sendo deixado de lado. Estávamos fazendo carnaval especificamente para os turistas e isso não pode ser assim. Os turistas têm que visitar a nossa terra, mas o carnaval tem que ser feito pra gente e eles gostam é disso, realmente. Os turistas querem ver os baianos, eles não querem ver artistas que eles vêm o ano todo, em outros lugares. Então, ainda não está totalmente estabelecido e transformado, mas eu gosto sim, acho interessante”, ressalta. 

“O carnaval por si só já se mantém, ele não precisa de nenhum artista, eu sou o criador do Axé Music, se eu parar de tocar o carnaval continua. Ivete Sangalo que é uma pessoa que o público enaltece, se ela parar de tocar, o carnaval também vai continuar. Quem faz o carnaval é o folião, principalmente, o folião pipoca”, completa. 

Entrando no assunto “Guitarra Baiana”, Caldas afirma que ela é um instrumento como é o violão, como é o violoncelo, é um instrumento maravilhoso, só que tem uma peculiaridade; ele é um instrumento genuinamente baiano, criado por Dodô e Osmar, foi criado basicamente um pouco antes do trio elétrico e é um instrumento belíssimo, é uma pena que não tenha muitos guitarristas que saibam tocar, justamente por ser um instrumento extremamente difícil de executar. Tocar mal é muito fácil, tocar bem é muito difícil”, afirma. 

Em relação ás suas musicas mais pedidas por quem o acompanha, Luiz Caldas afirma que essa é uma pergunta um tanto quando difícil, pois em cada show, há uma diversificação de pedidos. “São gostos diferentes, há lugares que as pessoas querem Tiêta de qualquer forma, outros lugares as pessoas pedem muito Haja Amor, é muita diversificação. Graças a Deus eu tenho um repertório grande e acabo tocando tudo e agradando a todos”, salienta. 

Segundo Luiz Caldas, é natural que os artistas se influenciem com quem já tem um grande repertório. “Acontece é que muita gente está surgindo só para movimentar dinheiro e não movimentar a arte, e essa não é a minha praia”, finaliza. 


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