Por que as pessoas mentem?

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Dizem que "uma mentira dita muitas vezes se torna uma verdade!" Nem tudo o que é dito, é o que de fato se revela.

Disse Lacan: "em todo o dizer, existe um querer dizer!", e, parafraseando o psicanalista francês, posso acrescentar ainda que: em todo o fazer, existe um querer/fazer; assim como em todo o ser, existe um querer/ser, e em todo o viver, existe um querer viver, e finalmente em quase toda a cabeça existe um MENTIROSO em potêncial.

Luiz Gonzaga, certa vez ao ser entrevista, disse: "em todos n√≥s existe uma bandinha vermelha..." e esta bandinha √© o lado sombrio da natureza humana, ou seja, o nosso lado obscuro. E nessa bandinha, conforme est√° escrita na m√ļsica cantada por Faf√° de Bel√©m, h√° v√°rios tons de vermelho; Vermelho, Vermelha√ßo, Vermelhusco, Vermelhante, Vermelh√£o. Nada √© o que parece, t√£o pouco, √© o que n√£o parece!

O apóstolo São Paulo disse: "O bem que eu quero fazer não faço, e o mal que eu não quero está sempre diante de mim". Existe, portanto, uma guerra de signos/símbolos em quase toda alma. E aquelas tonalidades de vermelho representam arquetipicamente: paixão, fé, e/ou, política. Também podem os tons de vermelho indicar para um atento observador, outros significantes: de alívio ou dor, morte ou loucura, dependendo de como o indivíduo se comunica com a cor. O que é quase sempre, pessoal e intransferível.

Escutei de uma amiga arquiteta certa vez quando lhe perguntei o porquê da escolha do vermelho para determinado projeto. Ao que ela me repondeu: "Por que Vermelho", disse ela, "ver - melhor!" (Risos).

No processo de comunica√ß√£o, entre a pr√°tica e o discurso, existe uma elabora√ß√£o que envolve tr√™s campos emocionais: Imagina√ß√£o, Simboliza√ß√£o, e Realidade. Logo, quando uma comunica√ß√£o se estabelece existe naturalmente entre o emissor e o receptor uma lacuna a ser preenchida com signos/s√≠mbolos imagin√°rios e reais, e estes s√≠mbolos definidos no processo cultural, precisam ser decodificados. Nesse processo, por√©m, a informa√ß√£o quase sempre se perde no mar do consciente/imagin√°rio de: a√ß√Ķes, raz√Ķes e elabora√ß√Ķes.

Culturalmente o sujeito é programado para não magoar, não desobedecer, não ser desonesto, não mentir, não ferir, não errar. Só que os seus programadores, dizem o que não fazer, mas não dizem, o que fazer. E o pior, não dizem, como fazer, ou, como não fazer.

Esse sujeito, muitas vezes, assujeitado se torna o deputado, a m√£e, o padre, o pai, o professor que tem o papel de falar, de informar e de dizer.

Programando, dessa forma, uma cadeia de auto-sabotadores da fala que, por sua vez, programar√£o a outros. Dos pais e/ou respons√°veis herdamos cromossomos e como-somos.

Por fim, deixo para reflex√£o algumas perguntas que n√£o querem calar...

O que você diria se te concedessem vinte minutos de fala no congresso nacional?

E o que você faria se fosse um protegido político convidado a depor? Falaria a verdade?!

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